Contadora revela encontros de ex-diretor da Petrobrás com doleiro

Contadora revela encontros de ex-diretor da Petrobrás com doleiro

Meire Poza disse à Justiça, na semana passada, que Paulo Roberto Costa se reunia com Alberto Youssef na sede da GFD, em São Paulo; depoimentos foram gravados (veja os vídeos)

Redação

10 de setembro de 2014 | 05h00

por Fausto Macedo

A contadora Meire Poza declarou à Justiça Federal que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, fazia reuniões com o doleiro Alberto Youssef na sede da GFD Investimentos – empresa de fachada por meio da qual, segundo a Polícia Federal, Youssef direcionava o pagamento de propinas a políticos e fazia remessas de valores para o exterior.

“O comentário na GFD era que o Alberto ganhava muito dinheiro a partir dessa relação com Paulo Roberto”, disse a contadora, que trabalhou para o doleiro e está colaborando com as investigações. Meire depôs na semana passada como testemunha em uma das ações penais contra Costa. Questionada se o ex-diretor da Petrobrás ia à GFD, afirmou.

“Eu o vi. Na maioria das vezes quando ele estava lá, não sei precisar quantas vezes ia lá, ficava com Alberto. A gente não tinha contato com ele na GFD.” A contadora disse que os encontros ocorreram em 2013. Ela não soube informar se o doleiro e Costa se reuniam em outro endereço de Youssef. Confirmou que o doleiro presenteou Costa com uma Range Rover. “Eu soube dessa história do carro que Alberto teria dado de presente para Paulo Roberto.

O comentário é que teria sido presente.” Meire relatou que Waldomiro de Oliveira, suposto laranja de Youssef na MO Consultoria, um dia a convidou para acompanha-la à sede da Sanko-Sider Produtos Siderúrgicos “Ele (Waldomiro) disse que tinha um valor, cento e poucos mil, para receber.” A Sanko-Sider, que atua no mercado de tubos de aço, é citada na investigação sobre o suposto superfaturamento das obras da Refinria Abreu e Lima (PE). A investigação da PF revela 57 aportes da Sanko nas contas da MO Consultoria totalizando R$ 24,11 milhões.

Por sua Assessoria de Imprensa, o Grupo Sanko reagiu taxativamente. “Sólida argumentação, acompanhada de vasta documentação comprobatória e, ainda, depoimentos de testemunhas idôneas estão sendo apresentadas em juízo. A lisura de toda a atividade comercial desenvolvida pela empresa vem sendo reiteradamente confirmada. A Sanko-Sider atua com reconhecida responsabilidade e ética há 18 anos nesse mercado e repudia veementemente qualquer afirmação, seja de quem for, que tente associá-la a atos e atividades com as quais não tem nenhuma relação.”

VEJA A ÍNTEGRA DOS DEPOIMENTOS DE MEIRE POZA À JUSTIÇA FEDERAL: 

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