Contabilidade de Machado indica ‘vantagens ilícitas em doações’ a Temer

Contabilidade de Machado indica ‘vantagens ilícitas em doações’ a Temer

Em planilha que entregou à Procuradoria-Geral da República, o delator lançou o nome do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) ao lado do valor R$ 1,5 milhão

Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho, Isadora Peron e Gustavo Aguiar

15 de junho de 2016 | 16h56

planilha machado-temer-chalita

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado entregou aos investigadores da Lava Jato a contabilidade de propinas que, segundo ele, foram repassadas a políticos de partidos diversos. Em uma planilha intitulada ‘Vantagens ilícitas em Doações Oficiais (R$)’, o delator lançou o nome do presidente em exercício Michel Temer (PMDB), ao lado do valor R$ 1,5 milhão.

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A planilha é dividida em quatro colunas: doador, beneficiário, ano e valor. O mesmo documento cita Gabriel Chalita, ex-secretário municipal de Educação da gestão Fernando Haddad (PT), e as iniciais ‘QG’, referência à empreiteira Queiroz Galvão suposta repassadora daquele montante.

De acordo com Sérgio Machado, em 2012, Michel Temer pediu a ele que conduzisse a captação de R$ 1,5 milhão para a campanha de seu apadrinhado, Gabriel Chalita, então candidato à Prefeitura de São Paulo.

Machado entregou à Procuradoria-Geral da República dados que, de acordo com ele, reforçam sua versão sobre repasses ilícitos também ao senador Valdir Raupp (PMDB-RR).

“Dados de Corroboração: Registro de entrada Valdir Raupp na Transpetro, contatos feitos por ligações e doações oficiais. Registro de entrada na Base Aérea Militar de Brasilia em 2012 e doação oficial ao então candidato do PMDB em SP Gabriel Chalita feitos pela Queiroz Galvão ao diretório nacional do partido e deste ao PMDB de SP”, aponta delação.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

A Queiroz Galvão informa que não comenta investigações em andamento. A Queiroz Galvão informa ainda que as doações eleitorais obedecem a legislação.

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER:

“Em toda sua vida pública, o presidente em exercício Michel Temer sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas.

É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – pessoa com quem mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade.”

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