Contabilidade consultiva: a mudança da economia está em nossas mãos

Fernanda Rocha*

03 de fevereiro de 2020 | 05h00

Contabilidade no Brasil está inteiramente associada com imposto e burocracia. Esse é o senso comum. A expressão – Contabilidade Consultiva – é redundante. Tão redundante quanto dizer que contador precisa fazer contabilidade. A verdadeira não é essa meia boca de despachante, de guia e folha. Essa é a contabilidade “fake”.

Desde quando gerar guia e folha e fazer um planejamento tributário bem feitinho é o suficiente para que seu trabalho seja, de fato, um instrumento de controle e orientação útil e eficaz para o desenvolvimento da sociedade? Desde quando o aprimoramento da Ciência Contábil e a evolução da profissão é sobre você validar e entregar um SPED fiscal? Cuidar da parte tributária é algo que devemos fazer sim, mas isso é só um meio, não é o fim, não é o propósito.

A Contabilidade Consultiva é a retomada do que a Contabilidade sempre foi: a Ciência da Riqueza capaz de levar informação e melhoria aos empresários brasileiros. Porém, a realidade dos escritórios contábeis é a entrega de obrigações acessórias e de balanços contábeis em reuniões esporádicas com os seus clientes.

Por muito tempo, o departamento contábil foi negligenciado dentro do escritório de contabilidade, tanto em pessoas, quanto em processos e tecnologias. Existem escritórios onde esse setor nem existe. É lastimável.  Esse departamento normalmente não funciona como uma máquina. Ele é o setor de apagar incêndios.

A nossa causa é muito mais nobre do que apenas cuidar da parte tributária. Lopes de Sá (Escritor e Contador) sempre disse que a contabilidade é a ciência da Riqueza e da Prosperidade e nós somos os cientistas capazes de aplicá-la para contribuir com o desenvolvimento sustentável das empresas.

Nós somos detentores da única ciência que é capaz de cuidar da saúde delas, ciência que, quando aplicada, permite que uma empresa cresça próspera e gere riqueza para todos a sua volta, contribuindo assim para a diminuição da pobreza e dos problemas sociais do Brasil. Nós, contadores, temos o poder de mudar a realidade pobre desse país! Afinal, Nós temos a economia brasileira passando pelas nossas mãos.

Temos o conhecimento necessário para curar as nossas empresas doentes que, segundo o Sebrae, a maioria morre antes de completarem 5 anos de vida. E ainda, pesquisa feita pelo IBGE, a cada 43 segundos uma empresa acaba. Ou seja, enquanto você termina de ler esse artigo, seis delas estão fechando as portas. Isso acontece por falta de conhecimento em finanças e em gestão. Ora, esse conhecimento é você, contador, quem detém ou deveria deter.

Mas aí o contador escolhe o lado negro da força, escolhe servir o Governo ao invés de servir o seu cliente. Prefere acreditar nas desculpas que ele mesmo inventa para não repensar no tipo de serviço que está prestando para seus clientes. E não adianta colocar a culpa nos órgãos de classe, na prostituição da profissão, na concorrência desleal, nos clientes que não valorizam esse trabalho. Se não está entregando contabilidade consultiva, saiba que está negligenciando o título de contador que lhe foi entregue.

Certamente haverá objeções quanto alguns pontos. A falta de tempo, a pouca ou nenhuma valorização por parte do cliente. Existe uma forma simples de resolver isso. Tecnologia. Automatizar o trabalho repetitivo e manual. Aliás, a tecnologia permite que a transformação aconteça cada vez mais rápida e quem não se adapta, fica para trás.

Esse foi um dos motivos do surgimento do Nucont. É a ferramenta que faltava para gerar diagnóstico limpo, simples e entendível para que a conversa com o empresário seja objetiva e fluida. As cores, o design, a disposição dos indicadores, tudo isso foi pensado com o único objetivo de chamar a atenção, para que ele tenha, no mínimo, o interesse em continuar a conversa e ouvir o contador. A ponte para conectar o “contabilês” ao “empresariês”.

O importante é ter uma ferramenta em mãos que traduza a Ciência Contábil na forma de gráficos e indicadores gerenciais para a tomada de decisão, para que, assim, o papel de contador seja cumprido com excelência. E mais importante ainda: que o seu trabalho seja entendido, reconhecido e, principalmente, valorizado.

Meu sonho é de que nenhuma empresa no Brasil quebre porque faltou a orientação adequada do contador quanto à correta geração e aplicação de seus recursos. Meu sonho é que as empresas cresçam prósperas e sustentáveis porque existe um especialista altamente capacitado cuidando da saúde delas!

Essa mudança está em nossas mãos.

*Fernanda Rocha é empresária contábil, fundadora e CEO da Nucont e criadora do movimento Contabilidade Sem Chatice

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