‘Construí igreja e um andar prá 99 presos’, diz ‘Pai de Todos’ do tráfico

Jarvis Chimenez Pavão, ou o 'Patrão', foi condenado pela Justiça Federal do Paraná a 10 anos e 9 meses de reclusão; em depoimento por vídeo conferência desde a prisão federal de Mossoró (RN), ele falou sobre sua temporada no presídio de Tacambu, no Paraguai, onde ocupava uma 'cela VIP', dotada de três cômodos com TV de tela plana, geladeira, cama de casal, esteira...

Fabio Serapião/BRASÍLIA e Luiz Vassallo

25 Maio 2018 | 05h38

“Fiz obras sociais, distribuía 1200 litros de leite de soja a cada três dias”, relatou, em interrogatório, o chefão do tráfico internacional de drogas Jarvis Chimenez Pavão sobre obras que afirma ter realizado no presídio de Tacambu, no Paraguai, de onde foi transferido porque flagrado em uma luxuosa ‘cela VIP’, dotada de três cômodos com TV de tela plana, geladeira, cama de casal, esteira, armários, mesas de vidro…

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Fornecedor de drogas para facções como o PCC, célula criminosa que domina parte das penitenciárias brasileiras, ele foi transferido em 2017 para prisão federal de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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Chimenez cumpre pena de 10 anos, 9 meses e 15 dias imposta pela Justiça Federal do Paraná, por associação ao tráfico de drogas.

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Para o Ministério Público Federal, ‘mesmo estando preso no Paraguai desde 2009, seria o líder do grupo e fornecedor da cocaína, proveniente dos países andinos (Bolívia, Peru e Colômbia), tendo como entreposto o Paraguai’.

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Segundo os procuradores, Pavão era tratado pelas alcunhas ‘Leka’, ‘Chefe’, ‘Patrão’ e ‘Pai de Todos’, ‘sendo muito temido, admirado e ao mesmo tempo respeitado pelos demais’.

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Em 2016, a polícia do Paraguai descobriu que Chimenez tinha uma vida de luxo dentro do presídio de Tacambu, na capital Assunção, onde cumpria pena de 8 anos. Sua ‘cela VIP’ – como definiu o Ministério Público Federal.

Durante o interrogatório, no âmbito de ação criminal na qual foi condenado no Brasil, ele ressaltou supostas benfeitorias que teria feito no presídio em que ficou no País vizinho.

O chefão do tráfico afirmou ao juiz que o interrogou que, enquanto esteve preso no Paraguai, ‘cuidava do esporte, da parte da igreja’. “muitas pessoas só falam de certas coisas, mas as coisas boas que foram feitas dentro da penitenciária ninguém fala, o senhor entende? Eu por exemplo fiz muitas obras sociais dentro do Tacambu, distribuía 1200 litros de leite de soja a cada 3 dias dentro do Tacambu”.

“Dos 4 mil internos que estavam presos lá, mil não tinham condições. Eu construí dentro do Tacambu mil e cem metros de obras em quatro pavilhões. Nesses quatro pavilhões, eu coloquei curso de computação, coloquei equipamentos para cortar cabelo, comprei máquina de cortar…”, relatou, mas sem esclarecer como conseguiu realizar tantas proezas para se beneficiar e a seus pares.

“Eu construí a igreja adventista, refeitório, construí um andar pra 99 presos com 33 camas de três andares para que eles pudessem receber uma educação espiritual, pudessem aprender uma profissão. durante quatro anos que funcionou esse pavilhão, mais de 300 pessoas foram batizadas. certas coisas, eu construí uma biblioteca com mais de 2 mil livros. certas coisas eles não comentam”, afirmou.

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