Conservadores acham que corrupção ruim é a dos outros, afirma Barroso

Conservadores acham que corrupção ruim é a dos outros, afirma Barroso

Ministro do Supremo Tribunal Federal também disse, durante evento do 'Estado', que entre os obstáculos para o combate à corrupção está no fato de que parte do pensamento progressista ainda achar que corrupção é um "pé de página e que os fins justificam os meios"

Altamiro Silva Junior, Mateus Fagundes, Daniel Weterman e André Ítalo Rocha

01 de abril de 2019 | 11h12

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Foto: Felipe Rau / Estadão

SÃO PAULO – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, avalia que um dos obstáculos ao enfrentamento da corrupção no Brasil é que parte do pensamento conservador no País considera que corrupção ruim é a dos outros. “Com isso, perpetuam no poder elites extrativistas que canalizam para si a renda”, disse ao participar do evento “Estadão Discute Corrupção“, realizado na sede do jornal O Estado de S.Paulo em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e a editora Companhia das Letras para discutir as operações Lava Jato e Mãos Limpas.

Barroso citou que entre os obstáculos para o combate à corrupção está no fato de que parte do pensamento progressista ainda achar que corrupção é um “pé de página e que os fins justificam os meios”. “A corrupção desvia os recursos para o lado errado”, disse ele. Barroso ressaltou que o “garantismo à brasileira” favorece a impunidade.

O ministro começou sua apresentação ressaltando que, entre as causas da corrupção disseminada no Brasil, está o sistema político conivente com essas práticas irregulares e a cultura da impunidade no Brasil até o passado recente. “Eram esquemas profissionais de arrecadação e distribuição de dinheiro”, disse ele, ressaltando que estas práticas estavam entranhadas nas instituições da república.

Parte da classe política, da classe empresarial e da burocracia estatal fizeram um pacto de “saque do dinheiro público”, disse ele. “Essas pessoas se consideravam sócios do Brasil e cobravam participação em todos os contratos públicos relevantes”, afirmou em sua apresentação.

Mudanças
“O que mudou no Brasil dos últimos anos foi uma imensa reação da sociedade”, afirmou Barroso, ressaltando que houve mudanças de atitudes, que começaram com o Mensalão, da legislação e da jurisprudência. “Houve processo histórico empurrado pela sociedade de transformação das instituições.”

O problema do Judiciário no Brasil não é independência, disse o ministro, é eficiência e celeridade. Ele destacou que o Judiciário no país é de fato independente e afirmou que a Operação Lava Jato não deve seguir os mesmos caminhos da operação Mãos Limpas na Itália. Ainda em sua apresentação, defendeu o investimento à educação, como forma de aumentar a produtividade do brasileiro. Outro ponto foi que o modelo de fechamento da economia impediu que as empresas se tornassem competitivas.

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