Consequências da alta do dólar para a economia brasileira

Consequências da alta do dólar para a economia brasileira

Augusto Luiz Pellicer*

09 de dezembro de 2019 | 05h30

Foto: Public Domain

Na última semana, tivemos fortes emoções a cada manchete que surgia nos jornais, principalmente, a respeito do dólar, que na quarta-feira, dia 27, alcançou a máxima histórica de R$ 4,258. Isso representa uma alta de mais de 5% no mês de novembro. Não obstante, uma semana depois das tentativas do Banco Central em controlar o câmbio, a moeda norte-americana permanece no patamar de R$ 4,20.

A apreciação do dólar tem diversas motivações, de ordem nacional e internacional, como a intermitente guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, regada de acordos que, por vezes, sequer duram horas. Além disso, nos deparamos com uma violenta instabilidade na América Latina, que nesses últimos 2 meses, enfrenta manifestações no Chile e uma crise política generalizada na Bolívia.

Estes eventos somados a insegurança mundial de uma possível recessão, refletem em um cenário de juros baixos em todo o globo. Consequentemente, temos uma depreciação de todas as moedas emergentes frente ao dólar, que se sustenta como a moeda mais forte e o porto seguro dos investidores de todo o mundo.

A taxa Selic, ensaia mais uma queda no mês de dezembro, buscando atingir o patamar de 4,5% ao ano. Ao encararmos os indicadores econômicos, e mesmo as expectativas do Banco Central, concluímos que a taxa de juros, tende a se manter em patamares baixos ao longo de todo ano de 2020, o que segura o real em um patamar menos apreciado.

Dessa forma, podemos compreender o que ocorre com o dólar de duas maneiras principais. A primeira hipótese é a de que este pode ser o novo patamar da moeda –pelo menos no curto prazo –. Nesse caso, esse é um novo status quo no qual devemos conviver e lidar. Isto é, dado os juros mais baixos no país, até que a economia reaja, podemos nos deparar com um dólar estável em R$ 4,20, ficando confortável até R$ 4,50, sem desestabilizar a nossa política monetária. Isso porque, com os juros mais baixos, já não é tão interessante para o investidor estrangeiro, aportar no Brasil, o que impulsiona uma saída de dólares, uma fuga de capital estrangeiro, reduzindo a oferta dessa divisa, de forma a apreciar o seu preço.

Outro modo de encarar esse súbito desnível do dólar é com a teoria econômica tradicional, onde essa depreciação do real frente ao dólar, nos leva ao aumento do lucro proveniente de exportações. No caso brasileiro, esse aumento beneficia, principalmente, a negociação de commodities cotadas na moeda americana, como a soja, o etanol e o café. Como resultado, temos o aumento de preços dos bens importados, o que certamente irá afetar negativamente parte da indústria que importa insumos para a sua produção.

No setor de serviços, o principal impactado é o setor de turismo, que provavelmente poderá sofrer com o aumento nos preços das viagens internacionais e assim, a demanda por essa modalidade tende a diminuir. No entanto, o turismo nacional tende a aumentar, tanto por parte dos brasileiros quanto pelos estrangeiros, que planejam vir ao Brasil.

*Augusto Luiz Pellicer, economista, sócio da Monteverde Investimentos e head de fundos imobiliários

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