Conselheiro de Dilma diz a Moro que mentiu à PF para ‘não destruir a Presidência’

Conselheiro de Dilma diz a Moro que mentiu à PF para ‘não destruir a Presidência’

João Santana, marqueteiro preso em fevereiro na Lava Jato, afirmou que na época não revelou o recebimento de US$ 4,5 milhões de caixa 2 da campanha da petista porque 'se iniciava o processo de impeachment'

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

22 de julho de 2016 | 05h00

BRASILIA /DF 05/11/2010 NACIONAL SANTANA DILMA E LULA Eleicao Presidencial, 2010 - Segundo Turno: da esq. para a dir., a candidata do PT ? presidencia da Republica, Dilma Rousseff, o marqueteiro e jornalista Joao Santana, e o presidente Luiz Inacio Lula da Silva, durante reuniao no inicio da campanha para o segundo turno. FOTO Roberto Stuckert

Dilma Rousseff, João Santana e Lula. FOTO Roberto Stuckert Filho/ Divulgação

Em seu primeiro depoimento diante do juiz da Lava Jato, o marqueteiro que atuou nas campanhas eleitorais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) confessou que mentiu à Polícia Federal quando depôs aos investigadores em fevereiro deste ano, logo após ser preso pela Lava Jato, para ‘preservar’ a presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Na ocasião, o marqueteiro disse que recebeu valores em contas no exterior referentes a campanhas para as quais ele trabalhou em outros países e negou que o dinheiro tinha relação com campanhas no Brasil. João Santana e sua mulher e sócia Mônica Moura vinham atuando nos últimos anos em campanhas petistas, mas também em campanhas presidenciais em outros países, sobretudo na América Latina.

O DEPOIMENTO DE JOÃO SANTANA AO JUIZ SÉRGIO MORO:

Nesta quinta-feira, 21, o casal negou sua própria versão inicial e admitiu ter recebido o caixa 2 de US$ 4,5 milhões para quitar uma dívida da campanha de Dilma de 2010. João Santana citou três fatores que, segundo ele, pesaram para que mentisse em seu primeiro depoimento à Polícia Federal: o psicológico (o ‘susto’ da prisão, e ele diz que não imaginava que seria preso), o “profissional” (queria manter o sigilo do contrato com o PT) e o “político”.

Em relação ao terceiro fator, Santana, que atuava como conselheiro de campanhas e estratégias eleitorais da petista, disse que não queria “destruir a presidência”, em um momento em que o impeachment de Dilma Rousseff o impeachment da petista era discutido na Câmara.

“Eu raciocinava comigo, eu que ajudei de certa maneira a eleição dela não seria a pessoa que iria destruir a presidência, trazer um problema. Nessa época já iniciava o processo de impeachment, mas ainda não havia nada aberto, e sabia que isso poderia gerar um grave problema até para o próprio Brasil”, afirmou.

COM A PALAVRA, A PRESIDENTE AFASTADA DILMA ROUSSEFF

A presidente afastada da República, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira, 22, que não autorizou pagamento de caixa 2 a ninguém durante sua campanha. “Na minha campanha eu procurei sempre pagar valor que achava que devia. Se houve pagamento (de caixa 2), não foi com meu conhecimento”, comentou.

COM A PALAVRA, O PT:

“Todas as operações do Partido dos Trabalhadores foram feitas dentro da legalidade. As contas da campanha eleitoral de 2010 foram inclusive aprovadas pela Justiça Eleitoral”.
Assessoria de Imprensa do PT Nacional.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, DEFENSOR DE JOÃO VACCARI NETO

O advogado Luiz Flávio Borges D’urso reagiu com veemência às acusações ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, seu cliente. “Isso (as afirmações de Zwi Skornicki, Mônica Moura e João Santana perante o juiz Sérgio Moro) é palavra ou de delator ou de alguém que já está negociando delação. Portanto, coloco no mesmo plano. Isso depende de provas, caso contrário não vai passar de mera informação trazida por delatores. E prova não será obtida porque isso não reflete a verdade.”

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