Conselhão do MP censura procuradora que espalhou charges de Bolsonaro nas redes sociais

Conselhão do MP censura procuradora que espalhou charges de Bolsonaro nas redes sociais

Procuradora Paula Cristine Bellotti publicou imagens em que chama presidente de 'miserável' e compara eleitores bolsonaristas a 'vagabundos e fracassados'

Paulo Roberto Netto

25 de agosto de 2020 | 17h10

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aplicou nesta terça, 25, pena de censura à procuradora Paula Cristine Bellotti, de Itaperuna (RJ), por publicar charges críticas ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. A decisão seguiu o voto divergente do ministro conselheiro Luciano Nunes Maia em processo administrativo aberto a partir de reclamação disciplinar instaurada pela Corregedoria Nacional do MP.

Segundo os autos, a procuradora Paula Cristine publicou em seu perfil no Facebook charge em que Bolsonaro, de joelhos, lambe os sapatos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A legenda dizia: ‘Bolsonaro é um miserável e quer que nós nos tornemos iguais a ele! Cabe a nós decidir!’.

Outra publicação exibia a imagem de eleitores bolsonaristas com nádegas em vez de rostos e suásticas estampadas em suas camisas. Em uma terceira ocasião, a procuradora publicou fotografias de protesto de estudantes em defesa da Educação e uma manifestação pró-governo e comparou as duas imagens como ‘Estudantes e trabalhadores x o lixo que ocupa a presidência da República e seus vagabundos e fracassados’.

O presidente Jair Bolsonaro faz gesto para simular uma arma durante evento. Foto: Helvio Romero/ Estadão

O relator do caso, conselheiro Silvio de Amorim, votou pela não aplicação de pena contra a procuradora, destacando que charges são parte do exercício de liberdade de expressão. Amorim, contudo, foi vencido pelo plenário do Conselhão, que vislumbrou violação ao decoro pessoal e da obrigação de manter conduta pública ilibada.

A sanção de censura, na prática, pode dificultar a promoção ou benefícios de carreira dentro da Procuradoria. A condenação também constará na ‘ficha’ da procuradora caso ela seja julgada novamente no Conselhão, que poderá aplicar penas mais duras.

COM A PALAVRA, A PROCURADORA PAULA CRISTINE BELLOTTI
A reportagem busca contato com a procuradora Paula Cristine Belloti. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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