‘Conduta de Janot extrapola os limites’, diz Mariz

‘Conduta de Janot extrapola os limites’, diz Mariz

Criminalista que defende e aconselha presidente Temer entrou com arguição de suspeição e impedimento do procurador-geral da República, acusador do peemedebista por corrupção passiva no caso JBS

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

09 Agosto 2017 | 05h00

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende e aconselha o presidente Michel Temer, disse que o procurador-geral da República Rodrigo Janot ‘extrapola os limites’. Nesta terça-feira, 8, Mariz protocolou no gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, arguição de suspeição de Janot. A defesa quer o impedimento do procurador no caso JBS – incluindo todos os processos dele decorrentes contra o presidente.

ESTADÃO: O pedido de suspeição do procurador é exclusivamente para o caso JBS?

MARIZ: O pedido tem que ser feito no processo, individualmente. Óbvio que se apresentar uma nova denúncia e ele (Janot) tiver sido julgado suspeito essa suspeição se estende aos outros processos. Suspeição em relação ao presidente.

ESTADÃO: Em que ponto o procurador extrapolou suas funções?

MARIZ: Em razão de excessivas manifestações, entrevistas, palestras, pronunciamentos, ele demonstrou uma ânsia acusatória, um ardor acusatório anormal. Por outro lado, nessas manifestações usou figuras de retórica, levantou hipóteses, suposições, criando ficções para encobrir a carência de provas concretas contra o presidente.

ESTADÃO: Se o ministro Fachin rejeitar a suspeição qual será a estratégia do presidente?

MARIZ: Eu confesso que não sei se será o ministro Fachin ou o Plenário do Supremo que vai decidir a suspeição. Mas, antes dessa decisão, o próprio procurador-geral da República terá oportunidade de se considerar suspeito ou não. Abre-se um prazo em que ele (Janot) dirá ‘sou suspeito ou não sou suspeito’.

ESTADÃO: Por que as entrevistas de Janot comprometem a conduta de procurador?

MARIZ: Elas revelam uma conduta que extrapola limites das funções de um procurador. O empenho dele em acusar o presidente a ponto de dar inúmeras entrevistas, usando expressões inapropriadas como foi a da flecha e do bambu (‘Enquanto houver bambu, lá vai flecha’, disse Janot), demonstram esse ardor acusatório (de Janot). Inclusive, o protagonismo, o número excessivo de entrevistas, o número excessivo de palestras, aparições públicas, não está bem de acordo com a postura comedida, com a postura discreta que se espera de um representante do Ministério Público Federal.

ESTADÃO: Na arguição o sr afirma que Janot quer ‘flechar’ o presidente. Por que ele quer flechar o presidente?

MARIZ: Não sei, é uma pergunta que me faço e, naturalmente, o presidente também se faz. Queremos saber o porquê dessa obstinação acusatória contra o presidente por parte do procurador-geral.