Condenado por assassinato de Dorothy Stang se entrega à Justiça no Pará

Condenado por assassinato de Dorothy Stang se entrega à Justiça no Pará

Clodoaldo Carlos Batista estava foragido há cerca de quatro anos; ele cumpria 17 anos de prisão no regime aberto

Redação

22 de outubro de 2014 | 01h41

Por Julia Affonso

Um dos condenados pelo assassinato da missionária Dorothy Mae Stang se apresentou à Justiça do Pará nesta segunda-feira, 20. Clodoaldo Carlos Batista foi considerado foragido após violar regras do regime aberto, pelo qual cumpria pena de 17 anos de prisão. Ele era comparsa do pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, assassino de Stang.

A missionária americana naturalizada brasileira tinha 73 anos e foi morta com seis tiros, pelas costas, em Anapu, em fevereiro de 2005. Ela denunciou a derrubada da floresta por madeireiros da região, grilagem de terras públicas e trabalho escravo, além de lutar pela implantação de um plano de desenvolvimento sustentável.

Dorothy Stang. Foto: Carlos Silva/AE/Reuters

Dorothy Stang. Foto: Carlos Silva/AE/Reuters

Segundo o Tribunal de Justiça do Pará, Clodoaldo não comparecia à Casa do Albergado, local onde se cumpre pena em regime aberto, há quase quatro anos. Ele agora vai cumprir pena em regime semi-aberto, numa das casas penais da Região Metropolitana de Belém. Ele terá saídas temporárias autorizadas pelo juiz da 1ª Vara das Execuções Penais de Belém, Cláudio Henrique Rendeiro.

À Justiça, Clodoaldo informou que descumpriu as regras do regime aberto por ter formado uma família. Alegou que o dinheiro que estava recebendo no antigo emprego, no valor de R$ 100, não atendia as suas necessidades e nem as de sua nova família.

Na tentativa de mantê-lo em regime aberto, o advogado Raimundo Cavalcante informou que Clodoaldo não se envolveu em nenhum ato ilícito e que está trabalhando em um sítio no município de Santa Izabel do Pará. O juiz, no entanto, considerou que o preso abandonou a execução da pena e determinou que ele fosse para um presídio dar continuidade à pena no regime semi-aberto.

Clodoaldo Carlos Batista, à esquerda, de costas, no momento da apresentação à Justiça. Foto: Coordenadoria de Imprensa do Tribunal de Justiça do Pará.

Clodoaldo Carlos Batista, de costas à esquerda, no momento da apresentação à Justiça. Foto: Coordenadoria de Imprensa do Tribunal de Justiça do Pará.

Sales, condenado a 30 anos, cumpria pena no regime aberto. Ele também deixou de cumprir critérios previstos no tipo de regime e acabou voltando para o semi-aberto. Recentemente, o executor de Dorothy se envolveu em outro homicídio e está sendo mantido em regime fechado por determinação do juiz da Vara de Inquéritos e Medidas Cautelares.

A reportagem não localizou o advogado de Clodoaldo, Raimundo Cavalcante.

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