Condenação criminal definitiva barra exercício de direitos políticos, defende Raquel

Condenação criminal definitiva barra exercício de direitos políticos, defende Raquel

Em manifestação ao Supremo, procuradora-geral endossa posição do Ministério Público de Minas e afirma que punição transitada em julgado 'é incompatível com mandatos eletivos'; caso está na pauta da Corte máxima nesta quarta, 8

Redação

07 de maio de 2019 | 13h27

Raquel Dodge, procuradora-geral da República. FOTO: MARCELO CAMARGO/AG. BRASIL

Uma pessoa condenada criminalmente cuja sentença tenha transitado em julgado – independentemente do montante da pena, ou se a prisão tiver sido convertida em medida alternativa – está impedida de exercer seus direitos políticos. Esse é posicionamento da procuradora-geral, Raquel Dodge, em Recurso Extraordinário (601.182) que discute o assunto no Supremo. O documento manifesta posição favorável ao pedido do Ministério Público de Minas, que recorreu de decisão do Tribunal de Justiça do Estado. O caso, que está na pauta do Supremo desta quarta, 8, teve a repercussão geral reconhecida – assim, a decisão decorrente do julgamento passa a vincular todos os casos semelhantes.

Documento

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da PGR.

De acordo com o documento assinado por Raquel, o artigo 15, inciso III, da Constituição Federal, ‘estabelece expressamente a suspensão dos direitos políticos em caso de condenação criminal transitada em julgado, sendo uma norma de eficácia plena e de incidência imediata’.

Para ela, não importam nem o montante da pena tampouco a natureza da sanção imposta.

“O condenado criminalmente fere o pacto social e tem sua capacidade de cidadão diminuída, daí a impossibilidade de votar e ser votado; de participar e influir na organização da vontade estatal, seja qual for a pena aplicada. A ratio é a condenação criminal e não a pena aplicada”, defende Raquel.

Na manifestação, a procuradora rebate a alegação de que, não havendo limitação material por parte do condenado, uma vez que este cumpriria pena fora da prisão, seria possível o exercício dos direitos políticos.

Ela chama atenção para o fato de que o condenado criminalmente rompe o pacto social.

“Tanto é assim que a improbidade civil, em que não há a imposição de pena privativa de liberdade, igualmente suspende os direitos políticos, inclusive no hodierno mecanismo da Lei da Ficha Limpa”, argumenta.

Perda de mandatos eletivos – A procuradora-geral salienta que a condenação criminal transitada em julgado é incompatível com o exercício de mandatos eletivos, competindo ao Judiciário a aplicação das penas, inclusive a pena acessória de perda do mandato.

 

“Nessa lógica, incumbe à respectiva Casa Legislativa, uma vez notificada, à vista da harmonia e independência dos Poderes e da coerência dos direitos estabelecidos na Constituição, o ato de declarar a perda do mandato dos parlamentares federais em situação que tal”, reforça.

A PGR opina pelo provimento do recurso extraordinário e, considerados a sistemática de repercussão geral e os efeitos do julgamento deste recurso em relação aos demais casos que tratem ou venham a tratar do tema, propõe a seguinte tese: ‘O exercício dos direitos políticos é incompatível com a condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos, sendo irrelevante a natureza da sanção imposta’.

O caso – Em discussão está um acórdão do Tribunal de Justiça de Minas que, ao julgar um caso de uso de documento falso cujo condenado teve a pena revertida em medidas alternativas, garantiu a ele o exercício dos direitos políticos.

 

Na opinião de Raquel, a decisão colegiada deve ser reformada para que se determine a suspensão dos direitos políticos, enquanto durar os efeitos da condenação.

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