‘Comunavírus’

‘Comunavírus’

Rodrigo Merli Antunes*

23 de março de 2020 | 13h55

Rodrigo Merli Antunes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Qual a origem remota da pandemia que se instalou em todo o mundo? Isso é obra do acaso, ou foi algo planejado? Houve má-fé, ou somente negligência? As preocupações estão sendo proporcionais, ou existe muita histeria? Bem, como sabido, impossível responder a todas estas questões neste momento, sendo certo que somente o tempo poderá descortiná-las, isso se todos conseguirem e/ou tiverem o interesse em obter as respectivas respostas. Por ora, o que se sabe é que o vírus responsável pela doença veio da China, havendo divergências e especulações variadas acerca de seu efetivo nascedouro.

Há quem sustente que a coisa é mais perversa do que parece, sendo a pandemia produto de um secreto programa de guerra biológica, este desenvolvido no país, mais precisamente na cidade de Wuhan (epicentro do problema), curiosamente o local onde estão situados dois laboratórios de pesquisas virais, ambos capacitados a trabalhar com armas biológicas.

Muito embora, no passado, o governo chinês tenha negado possuir armas ofensivas desta estirpe, não é nisto que alguns especialistas acreditam, tendo o jornal Washington Times divulgado nos últimos dias as impressões contrárias do ex-oficial de inteligência militar israelense Dany Shoham. Para ele, o vazamento proposital e/ou acidental do vírus do interior de um dos laboratórios é uma hipótese real a ser considerada, o que teria relação direta com a disseminação da doença pelo mundo.

Mais ou menos nesta mesma linha estão também alguns jornalistas, cientistas políticos e estudiosos em geral, os quais suspeitam não só da propagação proposital do vírus, mas também da participação da Rússia e de Cuba em todo este processo (em especial divulgando desinformações), tudo com vistas a dominar mercados, especular nas bolsas, destruir inimigos, expandir o controle pelo ocidente e ainda se sair bem no final da história, apresentando a cura ou então uma vacina.

Por outro lado, seguindo uma outra vertente, temos a versão oficial até aqui apresentada, esta no sentido de que o vírus foi transmitido ao homem por intermédio de animais exóticos e silvestres (morcegos, ao que parece), isso por conta dos hábitos alimentares existente entre os chineses. Mas o leitor sabe ao certo o porquê deste costume? Alguém já parou para pensar por que as cobras, as tartarugas, as cigarras, porquinhos-da-índia, ratos-de-bambu, cachorros, texugos, ouriços, lontras, civetas e até filhotes de lobo são ingeridos por lá, e muitas vezes ainda vivos?

Pois bem, para responder a estas questões, é preciso retornar cerca de 50 (cinquenta) anos, mais precisamente ao governo do ditador Mao Tsé Tung, época em que ele implementou a sua política denominada “Grande Salto Adiante” (1957/1960), a qual, na realidade, revelou ser um grande salto para a fome. Suas ideias marxistas aplicadas ao campo redundaram na coletivização da agricultura, esta a destruir completamente a propriedade privada e a deixar sob o controle do Estado todo o ciclo produtivo chinês, o que se revelou um verdadeiro desastre.

Milhões de pessoas morreram de fome em um episódio sem precedentes na história, ultrapassando até mesmo o que Stalin já havia feito na Ucrânia na década de 30 (Holodomor). No livro Espectro famintos, de Jasper Becker, há representações muito vívidas do pobre povo chinês dessa época, que esquadrinhava os campos durante o dia, à procura de sapos, salamandras, insetos, cascas de árvore ou qualquer outra coisa para comer e, à noite, vagando pelas estradas, buscava cadáveres humanos para devorá-los.

Relatos semelhantes dos horrores diários da China Vermelha (envolvendo canibalismo e hábitos alimentares exóticos) estão também em livros como Vida e Morte em Xangai, de Nien Cheng; A vida privada do Camarada Mao, de Li Zhisui; e Cisnes selvagens: três filhas da China, de Jung Chang. Eis, então, o porquê dos tais costumes alimentícios vistos até hoje por lá, todos eles intimamente relacionados à miséria e à fome por qual passaram.

Sendo assim, por conta de todo este contexto, e levando-se em conta a versão até aqui mais aceita, creio não ser absurdo sustentar que a causa mediata de toda a celeuma que o mundo vive atualmente tem um nexo de causalidade evidente com a ideologia mais perniciosa que já pudemos observar.

Ora, não fosse a filosofia marxista de Mao, a coletivização da agricultura chinesa, a fome daí decorrente, bem como os hábitos alimentares exóticos até hoje existentes, não só o Covid19, mas também outros vírus respiratórios vindos de lá não teriam sequer surgido. Mas aí, é fato, alguns poderão objetar no sentido de que a ingestão de animais também se dá por todo o mundo, inclusive no ocidente, não se podendo estabelecer esta relação, mesmo que indireta, à pandemia hoje reinante.

Bem, se de fato isso é verdade, também não é incorreto afirmar que os hábitos alimentares ocidentais estão bastante associados à cultura judaico-cristã, esta a permitir o uso de animais como alimento, mas desde que observadas algumas restrições e regras sanitárias. Animais selvagens e silvestres, vivos ou com sangue, dilacerados ou estrangulados, abatidos com crueldade e sem a observância de normas de higiene, nunca foram admitidos como alimentos pelos teístas cristãos mais convictos (Lev, cap.13 e 14; Nm 22.27-32; Pv 12.10; Lv 26.6; Ez 5.17; Gn 9.2-4; Dt 12.16, 23 e 24; At. 15.19-29).

Ocorre que o marxismo de Mao e do atual regime chinês sempre possuiu uma cosmovisão ateísta ou humanista secular, isto é, não existe um Deus, uma unidade criadora e muito menos templos ou igrejas, não sendo a religião algo a ser seguido. Se, e tanto, o que se vê na China de hoje é a adoção do Confucionismo e do Taoísmo, algo muito mais filosófico e sociopolítico (que busca a harmonia da vida e do mundo), do que propriamente religioso. Aliás, como sabido, para o idealizador do comunismo e inspirador de Mao (Karl Marx), a religião sempre foi o ópio do povo, algo ruim e indesejável, equiparável a uma droga alucinante. E, nesse ponto, abro um parênteses curioso.

Na atualidade, marxistas de todo o mundo parecem não considerar a droga como algo tão ruim assim, tanto que lutam por sua descriminalização e uso recreativo, em especial da maconha e da cocaína. Algo bem paradoxal, não é mesmo? Mas, contradições não surpreendem aqueles que entendem um pouco mais sobre o marxismo. Para seus adeptos, não existem princípios morais absolutos, certo ou errado, verdade ou mentira. Algo pode ser ruim hoje e bom amanhã. Tudo depende do que será útil para o ideal revolucionário e para a obtenção de poder.

Como já dizia Saul Alinsky, guru de Hillary Clinton e autor da obra Regras para radicais, “A causa nunca é a causa. A causa é sempre a revolução”. E, depois, ainda querem dizer que perigoso para o planeta é o americano de cabelo laranja. Vai entender, né?

Mas, enfim, voltando um pouco ao início, e independentemente das vertentes que se adote para justificar a origem da atual pandemia no mundo (se algo planejado pelo bloco russo-chinês e/ou se fruto dos hábitos alimentares daquela região, ocasionados por Mao), o fato é que creio inexistir uma nacionalidade específica para o tal vírus. Ele não é americano, italiano, iraniano, coreano, brasileiro, russo, cubano e nem mesmo chinês. Aliás, o povo da China é tão vítima como nós. Estão aprisionados há mais de 50 anos!

O vírus, na realidade, me parece ser é comunista, fruto direto e indireto da insanidade de uma ideologia política assassina, a qual já ceifou a vida de mais de 100 milhões de pessoas por todo o mundo, e que parece querer ceifar ainda mais. Por isso, inclusive, o título dado a este artigo: COMUNAvírus!

*Rodrigo Merli Antunes, promotor de Justiça em São Paulo. Especialista em Direito e articulista

Tudo o que sabemos sobre:

Artigocoronavírus

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.