‘Compromisso de manter e fortalecer forças-tarefa é obrigação e não motivo para elogio público’, diz procuradora a Deltan da Lava Jato

‘Compromisso de manter e fortalecer forças-tarefa é obrigação e não motivo para elogio público’, diz procuradora a Deltan da Lava Jato

Monique Checker, do Ministério Público Federal, reagiu a uma mensagem enviada pelo chefe da Lava Jato no Paraná na qual informou os colegas que ‘manteve contato’ com o subprocurador Augusto Aras, indicado por Bolsonaro para a chefia da Procuradoria-Geral da República

Pepita Ortega

13 de setembro de 2019 | 18h01

PGR. Foto: João Américo / Secom / PGR

A procuradora Monique Checker, do Ministério Público Federal, reagiu à mensagem passada pelo chefe da Lava Jato no Paraná Deltan Dallagnol, de que o subprocurador Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Procuradoria-Geral da República nos próximos dois anos, ‘expressou seu compromisso de manter e até fortalecer o trabalho das forças-tarefa’.

Monique considerou que a manutenção de uma força-tarefa, que em sua avaliação ‘traz benefícios para o País’, seria uma ‘obrigação’ da Procuradoria Geral da República.

Ela se disse ainda preocupada que houvesse ‘motivo para elogios públicos’ diante de tal ato. “Quando a obrigação vira favor, há algo que precisamos refletir”, anotou, em resposta a Deltan.

Em uma mensagem compartilhada na rede interna dos procuradores, o chefe da Lava Jato havia informado os colegas que ‘manteve contato’ com Aras.

Preferido de Bolsonaro, o subprocurador agora se prepara para a sabatina do Senado.

A escolha do presidente sofre resistência de procuradores que defendem a lista tríplice eleita pela classe como a via ideal para a chefia da Procuradoria Geral da República. Aras não fez parte da lista.

‘Lista Tríplice caiu de vez’

Em seu texto, a procuradora também defendeu a lista tríplice eleita internamente pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) em resposta a outra afirmação do chefe da Lava Jato no Paraná.

Na mensagem aos procuradores, Deltan disse que se manifestou ‘diversas vezes em apoio à lista tríplice, uma ideia/prática que merece ser fortalecida e institucionalidade’. “Contudo, a indicação foi feita e tudo aponta que se consolidará”, pondera.

Monique diz que viu a mensagem ‘com grande lamento’ e afirmou. “A lista tríplice caiu de vez mesmo.”

Ela avalia que a lista seria uma ‘garantia mínima’ e indica que, que independente da escolha de Bolsonaro por Aras, ‘nada obsta que a ANPR permanecesse em sua defesa pública’.

A procuradora rebateu uma ponderação que Deltan fez sobre ‘trabalho coordenado’ do órgão. Na mensagem, o chefe da Lava Jato ressaltou: “Concordo com José Alfredo e Vladimir: é hora de trabalhar pelo Ministério Público Federal. A atuação da Lava Jato, especialmente, depende de permanente coordenação entre instâncias, inclusive entre primeira e Procuradoria-Geral da República.”

Em resposta, Monique questiona o que seria ‘trabalhar para o MPF’ e contesta “Ao que pensei, a lista seria trabalhar pelo MPF. Ou alguém vendeu algo estranho, desde que entramos na carreira.”

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