Compra e venda de usados: bom para o consumidor, bom para as empresas

Luciana Almeida*

12 de janeiro de 2020 | 04h30

A instabilidade econômica no Brasil, somada às altas taxas de desemprego, tem impulsionado o mercado de compra e venda de itens usados. Seis em cada 10 consumidores compraram algum produto de segunda mão nos últimos 12 meses, é o que aponta um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes de Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). 96% dos entrevistados, inclusive, se mostraram satisfeitos com suas compras.

A compra de usados sempre foi bastante praticada e bem vista no setor de carros, mas, ainda segundo o levantamento da CNDL, essa prática se estendeu, claramente, para vários outros setores. O estudo da CNDL que citei anteriormente mostra que, entre os produtos mais procurados, estão os livros e móveis (51%), automóveis (49%), celulares (49%), eletrônicos (46%) e eletrodomésticos (46%).

Além de ser uma forma mais consciente de consumo, já que prolonga a vida útil dos mais diversos objetos, esse mercado desperta o olhar dos consumidores por outro motivo: o complemento de renda. Objetos que não são mais usados podem ajudar a completar o total necessário para pagar despesas no início do ano, por exemplo, como IPVA e IPTU.

As empresas de olho no mercado de usados

Uma pesquisa do Ibope, encomendada pela OLX, indica que cerca de 70 milhões de brasileiros possuem itens sem uso em casa e 84% deles têm interesse em vendê-los. Ou seja, cada vez mais brasileiros negociam seus itens.

O famoso “boca a boca” ainda é uma das formas mais tradicionais para venda e compra entre as pessoas, mas, já existem outras maneiras de potencializar e monetizar esse mercado. Hoje, diferentes sites ajudam e facilitam esse processo para quem quer vender e quem quer comprar.

Além dos sites que comercializam usados há algum tempo, vimos surgir startups nesse setor também. Onde é possível vender, comprar ou até mesmo apenas emprestar/alugar algum objeto. A tecnologia potencializa o surgimento dessas iniciativas.

E não são somente canais especializados na compra e venda de usados que ajudam na expansão do setor. As redes sociais também fazem parte dessa grande onda de mudança de consumo – muitas pessoas anunciam seus produtos e procuram por outros de interesse nesses meios.

Como elenquei aqui, as vantagens da expansão desse mercado são inúmeras – consumo mais consciente, vida útil prolongada dos itens, complemento de renda e surgimento de empresas especializadas nesse processo. Fora, claro, a questão da economia. Você sabia que um celular usado, por exemplo, pode custar entre 30% a 40% a menos do que um novo? E com o mesmo acesso à tecnologia de ponta e outras garantias. De repente, vale avaliar sua próxima compra, certo?

*Luciana Almeida, diretora comercial da Mais Barato Store

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.