Compra de votos para Rio/2016 faz parte de um ‘esquema bem maior’, diz Bretas

Compra de votos para Rio/2016 faz parte de um ‘esquema bem maior’, diz Bretas

Juiz da 7ª Vara Criminal Federal decretou prisão preventiva do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro

Julia Affonso e Constança Rezende

09 de outubro de 2017 | 19h43

Carlos Arthur Nuzman. Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Ao decretar a prisão preventiva do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, o juiz da 7ª Vara Federal Marcelo Bretas afirmou que a compra de votos para que o Brasil sediasse os Jogos Olímpicos 2016 faz parte de um esquema ‘bem maior’ de uma ‘organização criminosa instalada na intimidade da administração do Estado do Rio de
Janeiro’. O executivo estava custodiado temporariamente por cinco dias – o prazo acabava hoje. O magistrado ordenou ainda a prorrogação da custódia temporária de Leonardo Gryner, braço direito de Nuzman.

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Na mesma decisão, Bretas acolheu pedido do Ministério Público Federal e mandou o COB e o Comitê Organizador Rio 2016 entregarem os emails da secretária de Nuzman em 24 horas. Os investigadores miram as mensagens trocadas por Maria Celeste de Lourdes Campos Pedroso com Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, ‘para tratar do assunto de pagamento de propinas’.

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Nuzman e seu braço direito Leonardo Gryner estão presos desde quinta-feira, 5, por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio. Ele e Nuzman estão custodiados em Benfica, na zona norte do Rio.

A Unfair Play investiga a compra de votos para eleger o Rio de Janeiro como cidade olímpica. Segundo a força-tarefa, o grupo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) comprou o voto de Lamine Diack, por US$ 2 milhões, por meio de Papa Diack. O pagamento teria sido feito pela empresa Matlock Capital Group, do empresário Arthur Soares, o ‘Rei Arthur’.

Ao mandar prender Nuzman por tempo indeterminado, Bretas afirmou que é preciso afastar qualquer enganosa conclusão de que o objeto da investigação seria apenas o referido evento da compra de votos de membros do COI’.

“Na verdade este fato, como demonstram os elementos de prova já colhidos, seria apenas mais uma etapa de outra empreitada criminosa, bem maior, levada a efeito pela Organização Criminosa instalada na intimidade da administração do Estado do Rio de Janeiro. Como já exaustivamente descrito nas decisões cautelares anteriores, às quais me reporto, a escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 teria criado a oportunidade adequada para a realização de várias obras de grande porte neste Estado, a partir das quais um grande esquema de cobrança e repartição de propinas teria sido instalado”.

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