Compra de apoio de legendas da chapa Dilma teve pedido de R$ 57 milhões de Mantega

Compra de apoio de legendas da chapa Dilma teve pedido de R$ 57 milhões de Mantega

Marcelo Odebrecht afirmou que ex-ministro, identificado como 'Pós-Itália', nas planilhas secretas da empresa, pediu um adicional aos R$ 100 milhões acertados para campanha de 2014, e que concordou que valores seriam pagos às legendas aliadas, PDT, PROS, PP, PRB e PCdoB; no final, houve repasse de R$ 24 milhões

Beatriz Bulla, Fábio Serapião, André Borges, Julia Affonso e Ricardo Brandt

12 de abril de 2017 | 18h51

odeb

O delator Marcelo Bahia Odebecht afirmou em seu termo de delação premiada 23 que o ex-ministro Guido Mantega chegou a pedir R$ 57 milhões inicialmente para comprar o apoio dos partidos PDT, PROS, PSD, PRB e PCdoB para apoiar a coligação da chapa presidencial Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), em 2014. O valor pago, ao final, segundo os delatores foi de R$ 24 milhões, via caixa 2.

“O primeiro pedido original foi de R$ 57 milhões”,  afirmou Odebrecht.

“Entre maio e junho de 2014, o Guido veio com um  pedido adicional da campanha. Quando digo adicional, ele tinha um crédito comigo ainda dentro daqueles R$ 100 milhões que a gente tinha concordado. Mas pra a campanha eu já tinha feito a pedido dele a doação oficial, já tinha feito a doação oficial ao PT, que deu para ela, e já tinha acertado pagamentos para João Santana.”

O delator afirmou que tinha um acerto de R$ 100 milhões para a campanha de Dilma, fechado com o ex-ministro Mantega – identificado como “Pós-Itália”, nas planilhas da propina da Odebrecht.

“Aí ele veio com pedido adicional. E eu não tinha. Eu falei para ele: ‘não dá, não  posso fazer mais (doação) oficial  porque tinha um relativismo com outros candidatos. Eu posso dar para o João Santana”, afirmou o delator, em seu Termo 23 – refente ao anexo 81 – compra de legenda para compor a coligação de Dilma Rousseff na campanha 2014.

“Ele (Guido) falou: ‘não, o João Santana já está adequado.”

Lava Jato. Segundo o presidente afastado da Odebrecht – que está preso desde junho de 2015, pela Operação Lava Jato, em Curitiba – que avisou Mantega que “estava com dificuldade de fazer por caixa 2”. “Por causa da questão da da Operação Lava Jato, estava difícil para movimentar dinheiro.”

O ex-ministro, que era contato da empresa com o governo Dilma Rousseff, sugeriu segundo ele que a Odebrecht doasse para os partidos da chapa Dilma/Temer.

“A gente fechou a coligação, tem os compromissos. Segundo ele, quando fechava o apoio dos partidos, você, de certo modo, se comprometia a apoiar esses partidos no fechamento da coligação.”

O delator afirmou que acabou sendo pago R$ 24 milhões.

O PROS recebeu R$ 5 milhões, o PDT, R$ 5 milhões, para o PRB foi R$ 5 milhões e para o PCdoB R$ 7 milhões.

 

 

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