Compliance da BRF que falou sobre ética na Bolsa de Valores de NY é alvo da Carne Fraca

Compliance da BRF que falou sobre ética na Bolsa de Valores de NY é alvo da Carne Fraca

A pedido da PF, Justiça decretou mandado de condução coercitiva de José Roberto Pernomian Rodrigues, vice-presidente de Integridade Corporativa da antiga Brasil Foods

Fausto Macedo, Luiz Vassallo e Julia Affonso

18 Março 2017 | 06h15

brfbrasil

O executivo José Roberto Pernomian Rodrigues, vice-presidente de Integridade Corporativa da BRF – antiga Brasil Foods -, desfruta de prestígio e detém forte influência nos negócios do conglomerado. Com trânsito livre em órgãos públicos, inclusive áreas do Ministério da Agricultura, Rodrigues é respeitado internamente no frigorífico como o corregedor do grupo. Tamanha autoridade o levou até a ser convidado a falar sobre ética e compliance na Bolsa de Valores de Nova York. Na oportunidade, fez discurso sobre práticas anticorrupção.

Nesta sexta-feira, 17, porém, a reputação de José Roberto Pernomian Rodrigues sofreu um forte abalo. Seu nome foi ligado à Operação Carne Fraca. Contra ele, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14.ª Vara Federal de Curitiba – base da grande investigação sobre carne podre na praça – expediu mandado de condução coercitiva.

No inquérito da Carne Fraca, a Polícia Federal chegou a representar pelo afastamento de Pernomian Rodrigues da vice-presidência da BRF.

O pedido da PF foi extensivo a outros dois executivos da companhia, André Baldissa (diretor) e Roney Nogueira dos Santos (gerente de Relações Institucionais), e, também a Flávio Cassou, que os investigadores afirmam ser ‘executivo do grupo JBS’.

Para os investigadores, existem ‘evidentes possibilidades’ de Pernomian Rodrigues e os outros citados, inclusive fiscais do Ministério da Agricultura, utilizarem de suas funções para constranger testemunhas ‘ou mesmo atrapalhar a continuidade das diligências, viabilizar condições de outros colaboradores/empresários’.

O juiz não acolheu o pedido da PF quanto ao afastamento dos executivos, mas deixou claro seus motivos. “Relativamente aos investigados que desempenham suas atividades perante empresas privadas, entendo que, no caso, não cabe a este Juízo Criminal determinar o seus afastamentos. Isso porque o artigo 319, VI, parte final, do Código de Processo Penal, caso aplicado, não atingiria o seu objetivo de evitar a continuidade do cometimento dos crimes. Pelo que se observou, os investigados agiam em nome e por ordem de seus contratantes. Jamais por iniciativa pessoal. Portanto, nada permite concluir que, afastados de seus empregos, não serão facilmente substituídos por outros que prosseguirão com as condutas censuráveis.”

COM A PALAVRA, A BRF

A BRF informa que, em relação à operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira, está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua.

Mais conteúdo sobre:

Operação Carne Fraca