Como será a Black Friday no ano em que todo mês é Black Friday?

Como será a Black Friday no ano em que todo mês é Black Friday?

Pedro Henrique Freitas*

22 de novembro de 2020 | 05h30

Pedro Henrique Freitas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em um ano desafiador, o varejo e o e-commerce sofreram grande impacto – de formas completamente diferentes. De um lado, comerciantes precisaram lidar com o fechamento dos estabelecimentos durante meses, pouca previsão de melhorias e contas em acúmulo. Do outro lado, com o consumidor muito mais digitalizado, as vendas superaram todas as expectativas. De acordo com dados da Loja Integrada, entre março e maio, foram movimentados R$ 415 milhões em vendas por pequenos e médios lojistas da plataforma – 377% mais que a Black Friday 2019, de R$11,6 milhões.

A boa notícia é que a Black Friday 2020 é a grande promessa de recuperação do setor. Segundo pesquisa da área de Inteligência de Mercado da Globo, 42% dos consumidores já têm planos de fazer compras na data e só 23% não têm interesse. Os varejistas também estão esperançosos: De acordo com levantamento da Loja Integrada, 72% estão com expectativas positivas para a Black Friday 2020.

Se a Black Friday seguir a tendência da Semana do Brasil, realizada entre 03 e 13 de setembro, então temos uma boa previsão. O evento superou o número de vendas de 2019 em 89%, cerca de 260.000 pedidos. Apesar da expectativa dos varejistas ter sido baixa (63,4%), o evento provou que datas como esta tem, sim, preferência dos consumidores durante a pandemia.

Falando em tendência de consumo pela internet, um público que ganhou atenção foram os idosos. Em outro levantamento, a empresa de e-commerce registrou que 108% entre pessoas com mais de 60 anos fazendo compras online pela primeira vez, no mês de maio. Priorizaram setores como ´Casa e Decoração´, ´Eletrônicos´ e ´Alimentos e Bebidas´. Todas estas mudanças de comportamento exigiram do mercado adaptações em tempo real. Aqueles que conseguiram entender a tendência de consumo do seu público, garantiram fidelidade e crescimento da marca.

A grande prova de que os consumidores estão familiarizados com e-commerces (e vão garantir compras na Black Friday), aparece em um dado da pesquisa da área de Inteligência de Mercado da Globo. O levantamento ouviu 1,7 mil pessoas para traçar as tendências de consumo para a data deste ano. Só 16% dos entrevistados vão comprar exclusivamente em lojas físicas. Em 2019, o número foi de 35%. Somando os resultados de quem pretende comprar por e-commerces e lojas físicas, temos 84%, sendo 29% exclusivamente pela internet.

Sem dúvida os últimos 8 meses foram surpreendentes. As mudanças de consumo que estamos assistindo eram previstas para acontecer em 5 anos. Os pequenos e médios empreendedores estão mudando o mercado em 2020 e oferecendo ainda mais conveniência para o consumidor que foi limitado pela pandemia. Agora, a digitalização é prioridade para quem quer vender e para quem quer comprar.

Foram mais de 400 mil lojas virtuais criadas este ano. Mais de 4 milhões de pedidos realizados, no mesmo período. Esses números quando comparados com o ano passado mostram crescimento de 57% e 125% respectivamente. Com esse movimento, temos apostas para a Black Friday do Futuro?

Com tantas novas lojas e tendências de consumo, dá para dizer que saltamos no tempo. Não são só lojistas e consumidores tiveram adaptações: o setor de e-commerce passou a oferecer muito mais conveniência e competitividade. Na Black Friday do Futuro, queremos alcançar um novo patamar. O primeiro de tudo: que cada vez mais lojistas tenham acesso democrático ao e-commerce e suas próprias marcas. O lojista, que antes vendia no bairro para sua cartela de clientes fixa, agora pode preparar uma embalagem com produto, gerar nota fiscal e enviar para todo o Brasil.

Em segundo lugar, que o novo normal seja sair da zona de conforto e experimentar novas estratégias de venda. Que o empreendedorismo online seja reconhecido como um meio seguro de crescimento, fortalecimento da economia e geração de renda para famílias brasileiras, afinal, adaptação é o sobrenome do empreendedor brasileiro.

*Pedro Henrique Freitas é CEO da Loja Integrada

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoBlack Friday

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: