Como podemos melhorar a mobilidade urbana no Brasil

Como podemos melhorar a mobilidade urbana no Brasil

André De Angelo*

13 de maio de 2021 | 04h30

André De Angelo. FOTO: DIVULGAÇÃO

A ampliação da infraestrutura de transportes públicos é um dos principais condutores do desenvolvimento urbano nas cidades. Com ela é possível alcançar a integração da população aos grandes centros urbanos e promover a melhoria na qualidade de vida dos cidadãos. Nesse cenário, o planejamento de mobilidade deve estar alinhado às demandas da cidade e promover suas atividades por meio de ações sustentáveis e articuladas.

No setor de transportes, o crescimento desordenado e mal planejado das cidades diminui a qualidade dos serviços coletivos e estimula o uso de meios de transporte individuais, o que resulta em novos problemas para a cidade. Nesse sentido, o grande desafio para a área de mobilidade urbana é a promoção de investimentos em projetos de infraestrutura de transportes coletivos, como o metrô.

No Brasil, esses desafios são enfrentados há anos, tanto que a mobilidade de São Paulo – a maior metrópole do país – está classificada como uma das piores do mundo segundo a pesquisa “Mobility Futures”, da Kantar.

Diante deste cenário, pode-se de dizer que uma das principais apostas para o futuro da mobilidade está no modelo de deslocamento sustentável, que se baseia no desenvolvimento, ampliação e integração dos meios de transporte coletivos e individuais a fim de minimizar os impactos ao meio ambiente além de menor custo e redução do tempo gasto em deslocamento pela população que depende do transporte público para trabalhar e estudar.

Existem inúmeros bons exemplos ao redor do mundo que podem ser seguidos pelo País. A capital alemã, por exemplo, pioneira em mobilidade urbana, conta com um amplo transporte público e baixa dependência dos habitantes em transporte privado motorizado. Isso foi possível graças às ciclovias, que estão espalhadas na maior parte da cidade de Berlim, e de um transporte público de excelência – composto por U-Bahn (metrô), S-Bahn (sistema de trens rápidos), além de bondes e ônibus.

Montreal, no Canadá, é outro exemplo de eficiência em mobilidade urbana. A cidade possui milhares de bicicletários públicos, espalhados em pontos estratégicos e próximos a estações de metrô, e as ciclovias também são interligadas com todo o sistema de transporte público. Outra preocupação dos canadenses é com a mobilidade sustentável. E, pensando nela, a prefeitura da cidade garante que, até 2025, todos os ônibus da “Société de transport de Montréal (STM)” serão elétricos.

Segundo dados da UITP (The International Association of Public Transport – Associação Internacional do Transporte Público) e do Metrô de São Paulo, o metrô da cidade de São Paulo é o maior do país, com cerca de 101,1 km de extensão e 89 estações. Porém, a cidade também é a mais populosa do Brasil, com mais de 12 milhões de habitantes, e apresenta um crescimento rápido quando comparada a outras cidades – o que vem acompanhado por novas demandas populacionais.

A Linha 6-Laranja de metrô, de São Paulo – que atualmente está em fase de obras – já pode ser vista como uma solução de integração e ampliação da malha paulista à regiões não contempladas pelo modal metroviário. Trata-se do maior projeto de infraestrutura público-privado em desenvolvimento na América Latina que, quando pronto, atenderá 633 mil passageiros por dia, alcançando ainda a meta de geração de 9 mil empregos até seu ano de conclusão, em 2025.

A Linha Laranja ligará o extremo norte da cidade de São Paulo ao seu grande centro urbano através de 15 novas estações numa extensão de 15,3 km. E terá interligação com linhas do Metrô e também da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A aceleração do crescimento da oferta de opções de mobilidade eficientes, integradas e sustentáveis, passa pela promoção de PPPs, alianças entre o poder público e a iniciativa privada para suprir lacunas da infraestrutura e melhorar o fornecimento de serviço à população, mecanismo que no exterior já está em constante evolução desde 1992, ano em que foi realizada a primeira iniciativa do tipo no Reino Unido. A modalidade, que no Brasil surgiu com a Lei 11.079, de 30/12/2004, vem tomado cada vez mais fôlego juntamente com o avanço do interesse privado em concessões, o que pode ser ilustrado, além do caso da Linha 6-Laranja, pelo sucesso de diversos leilões ocorridos no Brasil no mês de abril, com destaque para a Infra Week, promovida pelo Ministério de Infraestrutura e que resultou em 28 ativos leiloados entre ferrovias, portos e aeroportos, para o leilão da CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), que resultou na maior concessão de infraestrutura de saneamento da história do Brasil e a para a concessão das linhas das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

*André De Angelo, diretor País da ACCIONA Brasil

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