Como o PIX vai ajudar no aumento da inclusão financeira do Brasil

Como o PIX vai ajudar no aumento da inclusão financeira do Brasil

Fabiano Dantas*

23 de outubro de 2020 | 05h30

Fabiano Dantas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Durante os últimos dias o termo PIX tomou conta dos noticiários em todas as mídias e gerou muitas dúvidas para a população em geral que utiliza serviços bancários. Sendo assim, uma pergunta interessante neste momento seria: Você sabe o que é o PIX?

PIX é uma marca criada pelo Banco Central do Brasil (BC) para o ecossistema de pagamentos instantâneos do Brasil, ou seja, as transferências monetárias eletrônicas entre dois agentes serão instantâneas e poderão ocorrer sete dias por semana 24 horas por dia. É importante deixar claro que esse é um sistema totalmente criado e desenvolvido pelo BC e que será disponibilizado pelas instituições financeiras, portanto, não é um serviço oferecido por um ou outro determinado banco, mas sim algo criado pelo BC. Inclusive, instituições financeiras que têm mais de 500 mil contas ativas são obrigadas a oferecer o serviço aos seus clientes.

O BC trabalha na criação do PIX desde 2018 contando com a participação de agentes do mercado na discussão. Inicialmente isso se deu por meio do Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos que encerrou seus trabalhos em dezembro do mesmo ano com a publicação de um documento com os requisitos fundamentais para o funcionamento deste ecossistema. Depois, as discussões foram realizadas dentro do Fórum PIX que é uma instituição de Governança permanente que tem a participação de 220 instituições e que continuará existindo mesmo depois do início do funcionamento do PIX, para buscar a melhoria contínua do sistema em termos de segurança e eficiência.

Um dos objetivos do BC é promover um aumento na inclusão financeira no país. Esta inclusão ou bancarização é um fator que já está há algum tempo no radar do BC. Segundo o Banco Mundial o Brasil tem um índice de 70% de bancarização bem aquém de países desenvolvidos como EUA ou Reino Unido que apesentam índices acima de 90%. Para se ter uma ideia do impacto que a existência de pessoas “desbancarizadas” (pessoas que não tem relacionamento com uma instituição financeira) podem causar no funcionamento da economia nacional, uma pesquisa do instituto Locomotiva de 2019, estimou que esta população no Brasil, é de 45 milhões de pessoas e movimenta, ao ano, cerca de R$ 800 Bi.

A expectativa é que com o desenvolvimento do PIX e a sua aceitação pela população haja uma ampliação no índice de bancarização fazendo com que mais pessoas tenham acesso a serviços financeiros com custo baixo e com maior segurança.

O fator custo é outro ponto importante a ser citado, pois o PIX será gratuito para pessoa física e para o Micro Empreendedor Individual (MEI), diminuindo os custos de transação e aceitação auxiliando na movimentação dos recursos dentro da economia nacional. Além disso, há a expectativa de redução na utilização de papel moeda nas transações, pois como o sistema realizará os pagamentos de forma instantânea a demanda por papel moeda tende a diminuir, gerando mais um ponto de economia, afinal como eu sempre digo aos meus alunos “imprimir dinheiro custa dinheiro”.

Outro objetivo do BC é incentivar competitividade no mercado, já que a chegada do PIX fará com que alguns dos instrumentos utilizados hoje no mercado para a realização de transferência e outros tipos de pagamento (DOC TED e boletos por exemplo) se tornarão menos atrativos para os clientes, levando as instituições a buscar inovações para manter sua posição no mercado. Falando das vantagens apresentadas pelo sistema é possível que a pergunta a seguir seja: Mas como funcionará o sistema?

Neste caso, é preciso falarmos das chaves do PIX.

As chaves PIX são como endereços das contas dos agentes nas instituições financeiras, ou seja, ao cadastrar uma chave PIX, você registrará um endereço de uma conta em uma instituição financeira, gerando assim o “caminho” para a realização da transferência via PIX. Este cadastramento foi iniciado no dia 05 de outubro deste ano e deve ser feito por meio dos canais de atendimento da sua instituição financeira, você terá disponíveis opções para o cadastro da sua chave, que são: CPF, Celular, Email e Aleatória.

A partir do momento em que for feito o cadastro da chave, basta fornecer esta informação para que a transação no PIX seja realizada. É importante ressaltar que cada conta pode ter até cinco chaves cadastradas, porém uma mesma chave não pode ser usada duas vezes. Sendo assim, se você cadastrou seu CPF para sua conta na instituição A você não poderá utilizar a chave CPF para a conta na instituição B. A chave aleatória é uma combinação de números e letras como se fosse um login. Além do sistema de chaves, o PIX permitirá também a realização de pegamentos por meio da geração de QR code e de tecnologias que permitem a troca de informações por aproximação.

O PIX é um sistema que tem tudo para dar uma chacoalhada no mercado das instituições financeiras e gerar facilidades para pagadores e recebedores dentro da economia brasileira, mas o seu real impacto conheceremos a partir do dia 16 de novembro quando ele faz sua estreia.

*Fabiano Dantas, professor do curso de da UNISOCIESC

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