Como o open banking vai mudar rapidamente nossa visão a respeito dos bancos

Ricardo Bendoraitis*

21 de abril de 2021 | 03h45

A proposta do modelo de open banking é ser um sistema que permitirá o acesso a informações bancárias de maneira transparente e segura tanto por aplicações quanto por instituições usando a tecnologia de APIs (interfaces de programação de aplicações).

Dessa simples explicação, no entanto, podemos derivar diversos outros pormenores também bastante interessantes, como a possibilidade de entrada de novos players menores no mercado, a criação de produtos financeiros mais acessíveis, a maior liberdade do usuário em relação às próprias informações, entre outros objetivos pensados pelo Banco Central ao trazer esse conceito para o sistema financeiro do Brasil.

É interessante antes ressaltar, no entanto, que ainda teremos um caminho a percorrer durante 2021, se todos os prazos estabelecidos forem mantidos, até que todas as fases de implantação do sistema financeiro aberto alcance a plenitude de funcionalidades esperada dele. Ao todo, serão quatro etapas.

Na primeira, já em andamento, os grandes bancos (participantes obrigatórios) estão adequando suas tecnologias a fim de que possam disponibilizar informações padronizadas sobre canais de atendimento, contas de depósito à vista e operações de crédito, entre outros produtos e serviços. É com esses dados que começarão a surgir aplicativos que comparam tarifas de contas, cartões e outros serviços, por exemplo.

Portanto, ainda não está disponível a possibilidade de os clientes optarem pelo compartilhamento dessas informações entre as instituições. Isso só acontecerá a partir da segunda etapa, programada para 15 de julho de 2021. Aqui os usuários dos bancos e demais instituições financeiras começarão a notar de forma mais aprofundada as novidades trazidas pelo open banking. Isso porque, a partir dessa data, começará a ser possível pedir aos usuários a permissão de compartilhamento de seus dados.

Dessa forma, o primeiro efeito prático será a possibilidade de a pessoa transitar entre instituições financeiras participantes do open banking levando todo o seu histórico bancário consigo. Assim, não será necessário reconstruir toda uma relação de confiança, que às vezes leva anos, para que possa usufruir de benefícios oferecidos para seu perfil de cliente.

Pelo lado dos bancos, o segundo efeito prático é que o usuário poderá esperar um atendimento mais cuidado, com melhores produtos e serviços, já que a concorrência também será maior devido à menor necessidade de “fidelidade”. Estima-se também que vejamos maior variedade de produtos e soluções vindos dos novos modelos de negócios gerados pela disponibilidade de acesso a informações.

O cliente verá, ainda, uma corrida pela personalização da sua experiência bancária. Com mais dados e a vontade de gerar produtos e serviços perfeitamente adequados às pessoas, será o momento ideal para os bancos criarem formas de oferecer soluções pensadas para perfis cada vez mais específicos.

A exemplo do que está acontecendo no Reino Unido, sabemos que a premissa do open banking é de fato mexer com as estruturas vigentes até então no sistema financeiro do país. Ao implantá-lo seguindo a regulação, os prazos e as exigências de compliance, todo o ecossistema poderá se beneficiar da novidade e conquistar ainda mais clientes.

*Ricardo Bendoraitis, diretor comercial na OmniBanking, braço da FCamara voltado à criação de soluções tecnológicas para empresas do setor financeiro

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