Como o hexa pode ajudar a renovar o País

Como o hexa pode ajudar a renovar o País

Renan Ferreirinha*

17 Junho 2018 | 06h00

Renan Ferreirinha. FOTO: DIVULGAÇÃO

A poucas horas da estreia do Brasil na Copa, inúmeros levantamentos mostram que os índices de desinteresse pelo Mundial batem recorde, mesmo com o time comandado pelo técnico Tite estar em excelente fase.

O fato pode ser explicado, em grande parte, pelo atual cenário nacional: a economia vai muito mal, há um clima de total descrédito com nossos governantes e a ressaca de uma manifestação que paralisou o país ainda é forte. Ou seja, a insatisfação dos brasileiros também nunca foi tão ruim desde a redemocratização de nosso país.

Apesar de os dois fatos – desinteresse pela Copa e atual cenário nacional – estarem intrinsicamente ligados, acredito e defendo que a população passe a adotar o pensamento oposto. Acompanhar e torcer como forma de prestigiar, impulsionar e reanimar o nosso país.

Não tenho dúvida de que o bom desempenho da seleção pode fazer um bem enorme para a população. Além das consequências mais óbvias, como elevar a nossa autoestima, um hexacampeonato pode, sem sombra de dúvida, renovar as nossas esperanças e resgatar o espírito alegre e otimista do brasileiro.

É importante deixar claro que não me refiro aqui a uma exploração política do futebol, como aconteceu quando a seleção brasileira foi tricampeã no México. Naquela época, havia uma ditadura instalada no país, com uma influência política significativa no comando do nosso time, com os governantes usando cada vitória para tentar legitimar o regime.

Nem que essa exploração seja feita por dirigentes democraticamente eleitos, como mostrou Gilberto Algostino, em seu livro Vencer ou morrer: futebol, geopolítica e identidade nacional, quando muitos tentam se apropriar do prestígio que o esporte oferece, aproveitando-se da fama que equipes e jogadores conquistam em campo.

Ao contrário desses usos, o que precisamos agora é que a população em si, e não os nossos governantes ou qualquer partido que seja, se aproprie de nossa seleção. Que voltemos a pintar as ruas de verde e amarelo e a vestir a lendária camisa canarinha, sem o receio ou inferência de que estaremos nos posicionando ideologicamente. Que tenhamos orgulho da nossa seleção, que um bom desempenho e um hexacampeonato possa resultar em uma alegria e vontade ainda maior de querer mudar, de trabalhar por um país melhor.

As eleições acontecem menos de três meses depois do último jogo da Copa. Por isso, parafraseio o nosso craque, Neymar Jr., quando ele disse que podemos sonhar com o hexa, que não devemos segurar a onda. Analogamente, também acho que não podemos e não devemos segurar a onda nas eleições: precisamos votar, de forma consciente e responsável.

Podemos e devemos sonhar com um país melhor e acreditar que uma renovação de princípios e práticas é sim possível. E assim como não é proibido sonhar com o hexa, não é proibido sonhar para superar nossas desigualdades, com um projeto de país mais estável, justo e desenvolvido. Não é proibido sonhar com uma política que realmente represente o Brasil e o povo brasileiro.

*Renan Ferreirinha, formado em Economia e Ciência Política em Harvard, é co-fundador dos movimentos Mapa Educação e Acredito

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