Como investir no segundo semestre deste ano, com as eleições nos Estados Unidos e as consequências econômicas da pandemia?

Como investir no segundo semestre deste ano, com as eleições nos Estados Unidos e as consequências econômicas da pandemia?

Rodrigo Alcântara*

16 de agosto de 2020 | 09h00

Rodrigo Alcântara,. Foto: Divulgação

Com menos de 100 dias para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, o atual presidente Donald Trump, não se deu por convencido quanto as negociações –realizadas ao longo de 2019 e no primeiro semestre de 2020 – com a segunda maior potência econômica mundial, a China. Nas últimas semanas, o presidente norte-americano exigiu a retirada da embaixada chinesa de seu território, acusando-os de roubo de informações confidencias de instituições americanas. Na porta da embaixada chinesa em Houston, bombeiros americanos flagraram chineses queimando documentos. Algo que reforçou ainda mais a suspeita levantada por Trump sobre os chineses.

Em retaliação a atitude de Trump, os chineses mandaram fechar a embaixada americana na cidade de Chengdu. Bolsas do mundo inteiro ficaram cautelosas e até oscilaram em patamares negativos, devido à retomada das tensões entre os EUA e a China em meio a uma pandemia.

Até que os indicadores das principais potências mundiais, começaram a mostrar sinais de vitalidade depois de quatro meses após o início da pandemia. Na China, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) – que representa o quanto a economia cresceu em um determinado período – veio positivo em 3,2% no segundo trimestre de 2020.

Os indicadores Purchasing Managers Index (PMI) – que representam a saúde econômica de alguns setores, como o industrial, de manufaturas, serviços e etc – vieram acima dos 50% nas principais potências europeias. Nos Estados Unidos, o setor imobiliário voltou a aquecer e as confianças dos empresários subiram novamente.

No entanto, a realidade nos mostra que nem mesmo o mais otimista, consegue visualizar uma retomada econômica rápida e imediata. As consequências do isolamento social, irão impactar fortemente as economias de todo o mundo, mas hoje é possível identificar um contexto diferente nas bolsas e ativos financeiros. Um exemplo claro é a alta no preço do ativo ouro, depois que 750 bilhões de euros em pacotes econômicos foram aprovados pelos 24 líderes da União Europeia em Bruxelas no mês passado.

Frente a todos essas notícias e sensações, surgem várias dúvidas nos investidores, como por exemplo: será que os ativos estão caros? Será que as instituições, emissoras de títulos de renda fixa, nas quais pretendo alocar o meu recurso, podem apresentar um risco elevado de crédito ou impedir o pagamento de dívida? Como investir de forma eficiente, diante de um cenário composto por baixa taxa de juros em todo o mundo, tensões, conflitos e bastante incerteza econômica? Enquanto as respostas para essas dúvidas não chegam, o investidor continua remunerando o capital aqui no Brasil, a taxas de juros reais negativas.

Uma das soluções mais adequadas para os investidores nesse momento é a diversificação. Muitas empresas sairão mais fortes dessa crise econômica e várias outras já conseguiram potencializar os seus negócios durante a pandemia. Sendo assim, direcionar o portfólio de renda variável para empresas com bons fundamentos, e que estejam posicionadas em segmentos que tendem a se beneficiar com o isolamento social, pode ser uma boa estratégia. Somente isso não basta, o investidor deve ter uma parcela maior do capital aplicado em renda fixa com bons ratings ou avaliação de risco. Dessa forma, o investidor poderá proteger o seu capital da inflação nesse período. Ainda é necessário que o investidor aloque a parcela da reserva de emergência em ativos de liquidez imediata e que não apresentem volatilidade – como por exemplo, o tesouro Selic –. Também é interessante destinar um percentual dos investimentos para a diversificação no mercado internacional e em ativos de proteção, como o ouro e o dólar.

A cautela, neste segundo semestre de 2020, pode ser a chave para que os investidores de maior agressividade não sofram com a volatilidade do mercado. A informação e a diversificação podem ser as melhores opções para os investidores mais conservadores. Desta maneira, os objetivos para qualquer que seja o perfil de investidor são: aproveitar oportunidades de mercado; manter a liquidez para suprir as necessidades da família; e por último, — e que justifica o investimento para o consumo eficiente no futuro – sustentar a rentabilidade real positiva nos investimentos.

*Rodrigo Alcântara, economista e assessor na Atrio Investimentos

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