Como investir em momentos de incerteza?

Lauro Araújo*

21 de julho de 2020 | 06h15

A era digital nos ensinou uma lição difícil: as crises são mais frequentes do que gostaríamos. Isso é um fato. Não tem como negar. Pela própria definição de crise, elas são imprevisíveis e nenhuma é igual a outra. No futuro, essa era poderia ser facilmente chamada de “a era das crises”.

Também aprendemos uma coisa importante: elas passam. Claro que não sem marcas. A atual crise nos deixa uma marca forte e dolorosa. Vidas foram perdidas. As crises sempre trazem transformações. Algumas coisas mudam, sem dúvida, mas o mundo continua.

Conversando com pessoas e clientes, fica muito evidente uma marca desta grande crise em particular. Ter dinheiro e conquistar a saúde financeira é importante. Existe um ditado famoso que diz “dinheiro não traz felicidade”. Eu acredito muito nisso. Mas a ciência mostra, que a falta de dinheiro pode tornar a vida de uma pessoa ainda mais difícil.

Cada vez mais estamos apreendendo que cuidar bem das finanças pessoais, e conquistar a saúde financeira são atitudes fundamentais. Guardar dinheiro e gerenciá-lo bem, é importante. Atualmente, a saúde financeira talvez não seja um tema tão debatido quanto a saúde física, mental ou espiritual, mas está se popularizando.

Estudos indicam que muitos brasileiros estão investindo em fundos, renda fixa e na bolsa. Praticamente, todos sofreram com a pandemia. Então nós nos perguntamos: o que eu devo fazer com o meu dinheiro nesse momento tão difícil?
A resposta é sempre: foco, força e determinação. Uma carteira de investimentos bem pensada e planejada sofre, mas é resiliente.

Acredito que todos devemos ter ao menos dois tipos de reservas financeiras. A de emergência e a de aposentadoria. Sem elas, alcançar a saúde e o conforto financeiro é praticamente impossível.

A reserva de emergência serve para você garantir a sua qualidade de vida por algum tempo. Normalmente, seis meses de vida. A regra básica é essa. Com este tipo de reserva, você terá tranquilidade para enfrentar momentos difíceis como a perda de um emprego, a ocorrência de uma doença na família ou o surgimento de algum outro imprevisto.

Durante a pandemia, muita gente está passando por isso. Nesta reserva, o mais importante não é que o dinheiro renda, mas sim cresça, ao menos, junto com a inflação, e esteja disponível a qualquer momento – o que nós chamamos de liquidez. Portanto, essa quantia sempre deve ser investida em ativos de muito baixo risco. Os fundos de investimento com resgate imediato, são os preferidos. O Tesouro Selic também é uma boa opção. Na maioria das vezes, estes tipos de investimentos passam ilesos por crises. Só consigo me lembrar de uma crise que os afetou, a do governo Collor. Mas, naquela época, tudo foi afetado.

Com essa reserva durante uma crise, será possível focar no que realmente importa. Com saúde financeira e tranquilidade, a sua energia e foco podem ser direcionados para o que é mais urgente. Além disso, a segurança que ela fornece, acaba fortalecendo a sua determinação para superar momentos difíceis. Hoje, quem não tem essa reserva, consegue perceber o quanto ela é importante.

A outra reserva que todos nós devemos ter é a de aposentadoria. Um dia vai chegar a nossa vez de fazer a transição de profissional para o que quisermos ser. Ter dinheiro para aproveitar a “idade de ouro” é essencial. Neste contexto, a coisa é bem diferente. Essa é uma reserva de longo prazo. Mesmo já aposentado, você precisará dela por mais 10 ou 15 anos. Ela ainda tolera riscos e pode esperar as coisas acontecerem.

Uma característica comum a todas as crises é que os investimentos de maior risco ficam mais baratos. Os preços das ações caem, os valores de vários investimentos de renda fixa diminuem, e assim, as oportunidades aparecem. Está sendo dessa forma com a crise causada pela Covid-19 e nas futuras também será. Estamos em crise? Aproveite para rebalancear a sua carteira. Mas o que é mesmo isso?

Estudo e aplico o rebalanceamento de carteira de investimentos há mais de 20 anos. Ele consiste simplesmente em comprar mais do que ficou barato. Normalmente, o nosso dinheiro para a aposentadoria está investido de diversas maneiras. Fundos, Tesouro Direto, ações, fundos imobiliários e etc. Na crise, alguns deles ficam mais baratos. No longo prazo – anos e não meses –, eles se recuperam. Você ganha mais. Sei que fazer isso, bem no olho do furação, é muito difícil. Mas é assim que você ganhará mais dinheiro.

Hoje, ninguém sabe se teremos uma segunda onda de contaminações. As vacinas ainda estão em fase de testes e tudo indica que teremos mais alguns meses de isolamento social. Muitas dúvidas, mas uma certeza: essa crise também vai passar. Eu podia enumerar aqui, os vários riscos e desafios para o mundo nos próximos meses. Não vou, pois não quero falar dessa chatice. Mas ainda tem muita coisa pela frente.

O seu dinheiro de longo prazo, aguenta sim o desaforo. Chegando perto da aposentadoria, a coisa muda um pouco. Você diminui o risco, porque já tem uma boa reserva para aproveitar a aposentadoria. Lembre-se, esse dinheiro é de longo prazo. Um bom assessor de investimentos vai lhe ajudar a fazer a escolha certa. Afinal, com dinheiro não se brinca.

Concluindo, uma vida financeira organizada – reservas bem definidas e aplicadas –, gastos controlados e um planejamento de longo prazo, superam qualquer crise. Essa é a melhor receita para garantir uma boa saúde financeira.

*Lauro Araújo, assessor de investimentos na Atrio Investimentos

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