Como estruturar e fazer a gestão do departamento financeiro em tempos de incerteza econômica?

Beatriz Machnick*

11 de dezembro de 2020 | 15h55

Beatriz Machnick. FOTO: DIVULGAÇÃO

Um ano inesperado e desafiador para os negócios e profissionais dos mais variados segmentos. O ano de 2020 chega ao fim trazendo lições importantes ao mercado, entre elas a necessidade de um bom planejamento financeiro, afinal a realidade mostrou que muitas organizações não estavam preparadas para enfrentar um período de crise ou os novos formatos de trabalho.

Todos sabem que controlar a gestão financeira de qualquer empresa é um fator decisivo para a sustentabilidade, seja em curto, médio ou longo prazo. Em tempos de incerteza econômica, isso se torna ainda mais estratégico. Nesse caso, não estamos falando nem em ser competitivo, mas sim em sobrevivência e manutenção de custos organizacionais.

Logo no início da pandemia da covid-19, uma pesquisa realizada pelo Sebrae revelou que ao menos 600 mil micro e pequenas empresas encerraram as atividades, o que consequentemente acarretou milhares de demissões. Ainda segundo o levantamento feito com mais de 6 mil empreendedores do Brasil, 87,5% dos entrevistados tiveram o faturamento mensal afetado, o que fez com que muitos recorressem a empréstimos para manter seus negócios em funcionamento e não demitir os colaboradores – quase 55% tiveram que buscar ajuda financeira e recorrer a linhas de crédito.

O fato é que os efeitos econômicos gerados pelo coronavírus foram devastadores para muitas empresas e dados como esses demonstram a importância da estruturação e do planejamento das finanças. O departamento financeiro precisa de uma gestão atenta e organizada, independente do porte da empresa. Seja pequena, média ou grande, ele é o “combustível” para qualquer negócio.

Para se ter uma ideia, ainda de acordo com essa pesquisa do Sebrae, apenas 26,6% das empresas estavam com uma boa situação financeira, enquanto 49% estavam em condições razoáveis e os outros 24,4% consideraram a situação ruim.

Diante do cenário, fica o alerta: a atenção às finanças deve ser prioridade e não espere a crise chegar! Você mesmo pode fazer esse controle, em caso de microempresas, ou a opção pode ser terceirizá-lo a uma consultoria especializada. O acompanhamento profissional do financeiro é essencial para a mensuração e controle dos custos.

E o momento, mais do que nunca, deixou evidente que as organizações precisam se antecipar, planejar e manter uma gestão eficiente.

A administração das finanças está atrelada ao fluxo de caixa – tudo o que entra e sai no mês precisa ser analisado, também é preciso ter um capital de giro para pagar as despesas. É esse caixa que possibilita uma avaliação financeira do negócio.

A sustentabilidade das organizações está ligada diretamente ao lucro, e não ao faturamento. Em um momento que muitos estão com dificuldades financeiras, lembre-se que o lucro real é o valor faturado, menos os custos e as despesas para gerar a receita.

*Beatriz Machnick é contadora, especialista em Controladoria e Finanças, mestre em Governança e Sustentabilidade. É pioneira da metodologia de Formação de Preços na Advocacia e palestrante na Ordem dos Advogados do Brasil(OAB). É sócia-fundadora da BM Consultoria em Precificação e Finanças. Autora dos livros Gestão Financeira na Advocacia – Teoria e Prática (2020), Valorização dos Honorários Advocatícios – O Fortalecimento da Advocacia através da Gestão (2016) e Honorários Advocatícios – Diretrizes e Estratégias na Formação de Preços para Consultivo e Contencioso (2014)

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