Como empresas comuns estão se adaptando ao online

Como empresas comuns estão se adaptando ao online

Fabrício Ramos e Rafael Docampo*

11 de junho de 2020 | 02h00

Fabrício Ramos e Rafael Docampo. FOTOS: DIVULGAÇÃO

A pandemia da covid-19 obrigou empresas a alterarem rotinas de trabalho bruscamente e isso não é novidade para ninguém. Na maioria das vezes, essa migração ocorreu de maneira rápida e desorganizada, o que é natural considerando a excepcionalidade do momento que estamos passando. Aos poucos, novos cotidianos serão desenvolvidos e processos serão redesenhados para manter a produtividade e, mais importante, o bem-estar dos colaboradores.

Mas e empresas que já estavam acostumadas com a realidade do trabalho remoto e digital por causa da natureza de seus serviços? Será que elas também foram afetadas de alguma forma? Acreditamos que elas têm muito a contribuir — e aprender — com outras neste período.

O intuito não é olhar o “copo meio cheio” em um cenário difícil para a esmagadora maioria dos negócios brasileiros. Muito menos falar do “lado positivo” que a pandemia poderia gerar para alguns tipos de empreendimentos. A ideia é olhar, pragmaticamente, como alguns serviços que já possuem experiência com os cenários impostos pela pandemia trazem bons exemplos de enfrentamento à situação atípica em que vivemos.

Já antes da pandemia da covid-19, o Information Service Group (ISG) apontava para a busca por empresas de soluções que aumentassem a produtividade de seus times, sem necessidade de redução de colaboradores. Não é de se estranhar que essa demanda só aumentou nos últimos dois meses com a introdução do home office e as dificuldades inerentes ao distanciamento diário.

É evidente que fluxos de trabalho que funcionavam antes hoje já não fazem mais sentido. Como o advogado Marcos Motta diz, a pandemia, em alguns setores, só acelerou processos que já estavam em curso. Provocou um choque à força, escancarando engrenagens que estavam enferrujadas há tempos.

Dessa forma, negócios digitais que consigam aumentar a produtividade de equipes à distância, organizar fluxos de trabalho e se adaptar às diferentes demandas dos novos clientes tendem a prosperar durante esse período. Falar isso não é nada inédito; a maioria dos negócios digitais já apostava nessa tendência. Entretanto, a pandemia adicionou dois novos fatores a essa equação: a velocidade e a excelência.

Se antes, a migração digital demorava alguns meses para ser implementada, agora, as empresas tradicionais precisam dessas soluções, como ouvi de uma cliente, “para 5 semanas atrás”. Isso faz com que as prestadoras de serviços digitais enfrentem o desafio de reduzir o tempo de resposta às demandas.

Por outro lado, ainda que precisem contratar rapidamente, essas empresas não esperam nada menos do que a excelência no serviço. Trata-se de um novo grau de exigência, não apenas em volume de entregas, mas em qualidade. Portanto, estamos vivendo o momento de testar quais empresas ditas digitais conseguem “entregar o que prometem”.

E o que as “empresas tradicionais” podem aprender disso?

Primeiro, o modo como esses negócios digitais reagirão à demanda por velocidade e excelência é um claro exemplo de como agir durante o período da pandemia. Se reinventar do dia para a noite, de maneira organizada, é praxe para empresas digitais. Portanto, entender como eles lidam com pressão por entregas, abandono de ideias pré-concebidas e a flexibilidade contínua para testar novas hipóteses e processos pode se tornar questão de sobrevivência para empresas tradicionais.

Somado a isso, talvez seja a hora dos ofícios tradicionais entenderem como introduzir de uma vez por todas os serviços online como forma de encurtar a distância entre as equipes de colaboradores. Sabemos que demorará para voltarmos ao cenário econômico pré-covid 19 e o uso de soluções digitais pode ser a maneira viável de acelerar o processo.

Muito se tem falado sobre a chegada de um novo normal após a pandemia. Essa é uma oportunidade para reinventar o que vem sendo chamado de normal. Talvez buscar algo diferente do passado seja uma necessidade humana eterna, e que se reflete na dinâmica digital das empresas tradicionais. Afinal, pode ser a última oportunidade que elas terão para realizar essa transição de verdade.

*Fabrício Ramos, formado em direito pela FGV-SP, atua na parte comercial da Lexio. Rafael Docampo, advogado pela Faculdade de Direito da USP e responsável por coordenar a equipe de desenvolvimento da empresa

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