‘Como é que os juízes vão dar conta de 80 milhões de twitters falando o tempo todo?’, diz Cármen Lúcia

‘Como é que os juízes vão dar conta de 80 milhões de twitters falando o tempo todo?’, diz Cármen Lúcia

Em palesta sobre 'a liberdade de expressão na comunicação tecnológica', presidente do Supremo afirma que 'imprensa é livre até como uma exigência constitucional'

Redação

20 de outubro de 2016 | 12h17

Cármen Lúcia. Foto: André Dusek/Estadão

Cármen Lúcia. Foto: André Dusek/Estadão

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, defendeu enfaticamente nesta quinta-feira, 20, a liberdade de informação. Em palestra sobre a ‘liberdade de expressão na comunicação tecnológica’, Cármen foi incisiva.

“Como é que os juízes brasileiros, três mil juízes eleitorais, vão dar conta de estar atrás de 80 milhões de twitters falando o tempo todo? Como é que nós vamos decidir sobre isso e tirar do ar? Não adianta, porque no momento seguinte nós dizemos que esse aqui não poderia ter acontecido vão aparecer cem outros. Portanto, é inócua a nossa situação.”

“Não há jurisdição para ser exercida sobre isso”, disse a ministra, em São Paulo, no X Fórum Aner de Revistas, realizado no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo.

“A democracia muda a partir dessa mudança de tecnologia pela qual se passa a informação alastrada, permanente, e que não para um segundo.”

Cármen foi enfática ao defender a liberdade de imprensa. “A imprensa é livre e não é livre como um poder, é livre até como uma exigência constitucional que, para se garantir o direito à liberdade de informar e do cidadão ser informado para exercer livremente a sua cidadania.”

“Não há democracia sem imprensa livre, não há democracia sem liberdade. Ninguém é livre sem ter pleno acesso às informações. E são os senhores jornalistas, a imprensa de uma forma geral, a nossa garantia de que vamos ver sempre as informações livremente prestadas, o direito garantido.”
Parafraseando o escritor mineiro Fernando Sabino (1923/2004), a ministra disse. “Deixa o Alfredo falar, deixa o povo falar.”

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