Como e por que fundir duas empresas concorrentes

Como e por que fundir duas empresas concorrentes

Nilson Filatieri*

02 de julho de 2019 | 05h00

Nilson Filatieri. FOTO: LETICIA RODRIGUES

Como boa parte dos empreendedores de tecnologia, sou obstinado por crescimento. O que mais faço no dia é planejar e executar ações para crescer mais rápido e resolver problemas que derivam disso. Nos últimos anos, o que eu fiz foi replicar um modelo de crescimento que dava certo e que nos permitia dobrar de tamanho todos os anos e ainda por cima gerar lucro.

Há cerca de um ano comecei a refletir, será que repetir esta estratégia é o caminho? Será que precisamos fazer algo diferente para alcançar um patamar maior? O que falta para sermos 50 vezes maior do que somos? O que falta para sermos 100 vezes maior?

No contexto das startups é comum este tipo de pensamento estar casado com a ideia de levantar investimento. Eu mesmo já havia feito isso há dois anos com o objetivo de acelerar o crescimento, e funcionou. Mas dessa vez, alguma coisa me dizia que para crescermos mais teríamos que fazer algo fora do padrão e radicalmente diferente.

Estava claro que havia uma oportunidade maior, um mercado crescente, uma tendência clara e ainda pouco explorada. Por outro lado, para capitalizar esta oportunidade precisávamos de novas pessoas no time, novos processos e tecnologias.

Após muita análise, muitas conversa e muitos cafés, concluímos que as opções que tínhamos seria captar investimento, levantar dívida ou fazer uma fusão com alguma empresa que tivesse tal complementaridade, algo muito difícil de se encontrar.

Uma das ações foi conversar com a empresa concorrente, a maior delas, aquela que disputávamos negócio a negócio implacavelmente. Felizmente, tínhamos uma boa relação e admiração mútua, então as primeiras conversas fluíram bem, apesar de desconfortáveis.

Concluímos que faria sentido a fusão. Juntas, as duas empresas cresceriam mais rápido. Cerca de 30 dias após esta primeira conversa já havíamos fechado os termos. O alinhamento era claro.

Para que esse processo seja possível, a primeira coisa que deve ser entendida é se há conexão entre os diretores e fundadores das empresas. Unir duas startups implica que todos vão se juntar e trabalhar juntos e se isso não estiver 100%, todo o negócio pós-fusão estará em risco.

Uma das causas mais comuns de morte de empresa é conflito entre sócios, então esse alinhamento principal, essa química, é muito importante para que não aconteçam problemas.

Em segundo lugar, é fundamental que as duas empresas estejam vendo o futuro da mesma forma e estejam alinhadas na estratégia. Caminhar para o mesmo objetivo também é obrigatório.

Outros itens importantes são aderência cultural, experiência e autoridade no assunto, percepção de valuation e transparência entre os sócios são pontos primordiais para que tudo ocorra conforme o esperado.

No meu caso, na fusão entre Eadbox e Edools, o processo foi relativamente rápido para padrões de mercado. Foram seis meses de relacionamento até que decidíssemos juntos analisar a oportunidade de fusão.

Após fecharmos os termos, lá se foram mais quatro meses de muito planejamento e trabalho em conjunto até a divulgação oficial. A Edools ficava em Niterói, no Rio de Janeiro, e atualmente, a HeroSpark fica em Curitiba, na antiga sede da Eadbox.

O time é um só e todos estão trabalhando por um mesmo objetivo.

*Nilson Filatieri é CEO e co-fundador da HeroSpark. Engenheiro elétrico formado pela Universidade Estadual de Londrina. Ficou por mais de seis anos à frente da EADBOX, empresa que se fundiu com a Edools em 2019, dando origem a HeroSpark

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Tendências: