Como a pandemia está mudando a percepção da importância dos seguros no País

Como a pandemia está mudando a percepção da importância dos seguros no País

João Luiz de Lima*

11 de novembro de 2021 | 03h30

João Luiz de Lima. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é novidade dizer que a pandemia de covid-19 mudou consideravelmente a maneira de a sociedade se relacionar, consumir e trabalhar. Nos últimos dois anos, tivemos de repensar muitas questões para nos adaptar a essa nova realidade, o que fez com que passássemos a priorizar certas coisas que, antes, passavam despercebidas.

Todos os dias estamos sujeitos a imprevistos dos mais variados tipos, como um problema com o automóvel ou a residência, até algo mais grave, que possa impactar nossa saúde e nossas finanças. O fato é que a pandemia nos fez enxergar o óbvio: por mais que planejemos nosso futuro, não temos nenhum controle sobre ele – quando um imprevisto acontece, temos de estar preparados para lidar com isso.

Essa mudança de mindset, impulsionada pela pandemia, impactou o mercado securitário no País. Historicamente, o Brasil não tem uma cultura de seguros consolidada, como acontece em países como Japão, China e Estados Unidos, por exemplo. Porém, dados recentes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) mostram que o setor apresentou um ótimo desempenho no primeiro semestre de 2021. De acordo com a entidade, de janeiro a junho, o mercado de seguros no País cresceu 19,8%, com uma arrecadação de R$ 145,1 bilhões, superior à do segundo semestre de 2019, quando não havia pandemia.

Além do protagonismo que os seguros corporativos de danos e responsabilidades exerceram nesse cenário, devido às necessidades das empresas de proteger seu patrimônio em períodos de crise, podemos perceber que muito desse crescimento do setor pode ser atribuído ao novo comportamento que a sociedade teve de adotar para se adaptar à pandemia, como isolamento social, adoção de modelos de trabalho remoto (o famoso home office), maior preocupação com imprevistos que impactam a renda familiar e maior cuidado com a saúde própria e coletiva.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados recentes divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), os seguros residenciais cresceram quase 4% no ano passado, quando começou a pandemia, em relação ao ano anterior. São dados que fortalecem o argumento de que o home office e a necessidade de isolamento social foram fatores determinantes para que esse crescimento ocorresse, uma vez que as pessoas estão passando muito mais tempo em casa, se compararmos com o período anterior à pandemia, o que, consequentemente, aumenta a incidência de problemas domésticos e acidentes no local.

Outro segmento que podemos destacar é o de pessoas. Ainda de acordo com a CNSeg, a procura pelo seguro de vida no Brasil cresceu 19,3% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, o que mostra uma maior preocupação com o planejamento financeiro familiar diante de alguma fatalidade, até por pessoas mais jovens, que vêm demonstrando cada vez mais interesse nesse tipo de seguro. No primeiro bimestre, por exemplo, a procura por seguros de vida entre os jovens subiu 120%, segundo levantamento da Susep.

É claro que a indústria ainda tem muito a evoluir para consolidar o processo de aculturamento de seguros no País, mas o desempenho do mercado nos faz refletir como o setor securitário tem espaço para crescer localmente, e como as seguradoras podem oferecer soluções e produtos cada vez mais personalizados, que atendam aos novos anseios desses consumidores, que foram intensificados pela pandemia. O mundo mudou, o comportamento das pessoas mudou e, junto com ele, suas prioridades e necessidades. É nosso papel, como seguradoras, acompanhar essas mudanças, para continuar oferecendo proteção e confiança aos clientes e impulsionar ainda mais o mercado securitário brasileiro.

*João Luiz de Lima é diretor comercial Nacional Varejo da Tokio Marine

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.