Como a organização financeira pode ser a chave para atravessar a pandemia

Como a organização financeira pode ser a chave para atravessar a pandemia

Isabelle Kwintner*

23 de março de 2021 | 05h00

Isabelle Kwintner. FOTO: DIVULGAÇÃO

Obter controle sobre os gastos é um dos maiores desafios dos brasileiros. De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 66,5% dos consumidores brasileiros estão com dívidas em aberto em bancos, cartões de crédito e lojas. Entre estes, os cartões de crédito representam a principal modalidade de endividamento, representando 80,5% das dívidas, ainda segundo a pesquisa.

Em meio a um cenário de pandemia e infinitas incertezas envolvendo a economia mundial como um todo, nunca foi tão importante obter o controle sobre os gastos pessoais e familiares. Mas como fazê-lo de maneira efetiva? Para começar a responder esta pergunta, é necessário ter em mente três pilares básicos de gestão financeira: planejamento, organização e controle de gastos. 

O desafio: terminar o mês no azul e estabelecer prioridades 

Encerrar o mês com saldo positivo e, de preferência, uma reserva para emergências é o ideal. Para isto, é necessário parar e fazer uma profunda análise dos gastos que são essenciais, contínuos e programados na rotina. Feito isto, chega-se a um valor estimado que será gasto no mês. Quanto ao que sobrar, o interessante é poupar uma quantidade para uso em caso de necessidade e comprometer-se a não gastar.

Além disso, uma forma de eliminar gastos supérfluos, conseguir terminar o mês no azul e ainda guardar uma quantidade de dinheiro é apostar em projetos a longo prazo, pois demandam planejamento e disciplina na prática. Para isso, ter uma base de investimentos ou até mesmo o tradicional “cofrinho” são meios seguros de guardar dinheiro e de manter o consumidor alinhado com seu objetivo. 

Aliados do planejamento financeiro

Nesse processo de busca por organização e planejamento financeiro, os bancos digitais e as fintechs podem ser fortes aliados. Eles reúnem o que há de mais moderno em termos de tecnologia e já são uma realidade muito presente na rotina financeira de correntistas e empreendedores.

Dentro dos próprios aplicativos dos bancos, entre inúmeras funcionalidades, é possível fazer cálculos, simular investimentos e agendar pagamentos importantes – para que não haja multas e o dinheiro seja mais bem aproveitado. Também já é  possível obter extratos personalizados que apontam em qual segmento a maioria dos gastos está concentrada para analisar se está havendo um consumo consciente ou gastos além do que deveria.

Com estas funcionalidades disponíveis na palma da mão, através dos smartphones, fica mais fácil a visualização e organização financeira.

Aliás, falando em tecnologia, uma nova tendência que pode ser revertida em benefício e significar uma economia extra é o “cashback”. Trata-se de um programa por meio do qual o consumidor tem acesso a diversas lojas parceiras que possibilitam o retorno de parte do valor investido nas próximas compras. Ou acumular um saldo de pontos para uso exclusivo neste programa.

Educação financeira para formar adultos mais conscientes 

O planejamento financeiro precisa começar desde cedo. É uma forma prática dos pais estimularem os filhos a administrar seu dinheiro sem gastar demais pode ser apostar em um cartão pré-pago. Com ele, os pais podem depositar uma mesada controlada e seus filhos terão apenas aquela quantia para administrar durante o mês. Uma medida assertiva que promete ensinar  sobre como estabelecer prioridades e poupar dinheiro – visto que não haverá reposição do valor antes do início de um novo mês.

Além disso, outra dica valiosa para aprender sobre administração financeira é investir em si mesmo por meio de cursos e livros voltados para este assunto. Conhecimento sempre é um excelente investimento pois este, nunca poderá ser tirado de nós.

Por fim, vale lembrar que, tão eficaz quanto atuar na contenção de prejuízos financeiros, é agir para preveni-los. Quanto antes este processo individual de conscientização iniciar, melhor, no entanto, independentemente da idade da pessoa, para tornar-se um consumidor ativo e racional é necessário controlar seu dinheiro e não ser controlado por ele.

*Isabelle Kwintner é diretora sênior de estratégia da Uzzipay

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