Como a inteligência emocional pode ser aplicada durante as eleições?

Como a inteligência emocional pode ser aplicada durante as eleições?

Fredy Figner*

05 Outubro 2018 | 03h30

Fredy Figner. FOTO: Renato Gasparetto

As eleições despertam sentimentos e emoções que vão do ódio, da raiva, da revolta, ao amor, da paixão e à euforia. Esse mix de sentimentos geralmente é projetado a favor ou contra um determinado candidato.

Então, por que somos tão emocionais ao defendermos um candidato ou partido político?

Uma boa explicação é que nosso sistema emocional foi a primeira das formas que foram desenvolvidas no nosso processo evolutivo para sermos capazes antecipar as situações. Exemplo: fugir de predadores, comida estragada, etc.

Assim, quando sentimos que um candidato ao qual se tem um vínculo de preferência emocional está situação de “perigo”, a tendência é defender essa pessoa com “unhas e dentes”. No caso, o defensor discute, briga sem ao menos racionalizar. O candidato em questão ganha um status familiar, de quem torce para o mesmo time de futebol ou vivesse na mesma aldeia. Estamos diante de uma estratégia de pura defesa do cérebro.

Uma boa sugestão para lidar com a política atual seria utilizar, de forma sábia, a nossa inteligência emocional.

Daniel Goleman revela que a inteligência emocional é composta de cinco grandes habilidades: autoconhecimento emocional, gerenciamento das emoções, motivação, empatia e habilidade social.

São atitudes extremamente emocionais e que, muitas vezes, pode nos trazer prejuízos sociais: como brigas e divergência de opiniões. A luta é para tentar comprovar que o candidato da minha preferência está certo e que todos as demais devem seguir essa premissa. Pura ilusão.

Entrar em constantes conflitos em redes sociais e/ou excluir pessoas que não compartilham da minha ideologia política podem torná-lo inconveniente. Vale lembrar que a ideologia política está ligada aos valores de cada um ou aquilo que nos faz felizes.

Segundo a Ph.D Tamara Avant, do Departamento de Psicologia da South University, “parte da auto-expressão associada com a nossa paixão a respeito das ideologias políticas é o desejo de encorajar outras pessoas a pensar (e votar) como nós. Algumas pessoas orgulhosamente mostram em quem vão votar através de broches ou de faixas e placas no jardim de suas casas. Nossas ideologias políticas estão extremamente ligadas aos nossos valores, e nós usamos a política como um meio de compartilhar os nossos valores com os outros”.

Levar inteligência às emoções pode ser fundamental neste momento já que, após o período eleitoral, os políticos continuarão com suas vidas privilegiadas – modelo de política brasileiro – e virá a consciência que talvez tenhamos sido rigorosos demais com quem simplesmente não abdica dos mesmos valores que os nossos.

Qual seria a atitude mais sensata neste contexto?

Usar o lado racional do cérebro para gerenciar suas emoções, estudando as propostas de cada candidato, vendo o histórico dos projetos aprovados e implementados, o quanto ele realmente tem condição de administrar nosso País ou Estado.

É preciso ter empatia e habilidade social para entender que nossas escolhas têm apenas a ver com nosso universo, e de mais ninguém. Da mesma forma que você luta por um país melhor, os outros buscam o mesmo objetivo, mas cada qual com um viés diferente. E assim que funciona a democracia. Poupe-se brigas e stress.

*Fredy Figner é bacharel em psicologia e coaching em treinamento e desenvolvimento

Mais conteúdo sobre:

Artigo