Como a análise do comportamento humano contribui para a saúde do futuro

Como a análise do comportamento humano contribui para a saúde do futuro

Isabela Abreu*

03 de agosto de 2021 | 06h00

Isabela Abreu. FOTO: DIVULGAÇÃO

A princípio o quadro de doenças, sejam elas crônicas ou não, tem como fator predominante o estilo de vida da pessoa.

Segundo pesquisa, se alguns fatores de risco relacionados ao comportamento fossem mudados, pelo menos 80% de todas doenças cardíacas, diabetes e derrames poderiam ser evitados, assim como, mais de 40% dos casos de câncer e morte.

No entanto todos nós sabemos que comer demais e não se exercitar é um tiro no próprio pé, ingerir sal ou açúcar em quantidade excessiva promove doenças como o colesterol ruim LDL e diabetes.

Então porque nós ainda continuamos agindo de maneira prejudicial à nossa própria saúde?

É isso o que a análise do comportamento humano visa responder e com as respostas quer contribuir para a saúde do futuro!

Como resultado será possível propor mudanças comportamentais mais assertivas para prevenção de doenças e atendimentos personalizados.

A implementação da análise do comportamento humano na área médica promove a condução de resultados reais à saúde das pessoas.

Mas isso requer uma compreensão mais completa e aprofundada da saúde do paciente, incluindo fatores que moldam seu comportamento.

E é aí que os cientistas comportamentais podem ajudar.

Pois a ciência comportamental combina visões da psicologia, antropologia, economia e neurociência para explicar como as pessoas agem sob certas circunstâncias.

À primeira vista, nossas escolhas de comportamento e estilo de vida são influenciadas por fatores individuais, ambientais e sociais.

Estudos demonstram que nós tendemos a optar por ganhos imediatos em vez de recompensas futuras, daí começamos a entender porque comemos um alimento ao invés de outro, isso é chamado no meio científico de desconto temporal.

Segundo o economista comportamental Daniel Kahneman em seu livro Thinking, Fast an Slow (Pensando, rápido e lento), diz que as pessoas pensam e tomam decisões com base em dois sistemas:

  • Sistema 1: que é rápido, instintivo e emocional
  • Sistema 2: que é lento, mais deliberado e racional

Kahneman afirma que 98% do nosso pensamento é proveniente do sistema 1.

Devido à irracionalidade de tal sistema, por prezar a rapidez pode levar a “lacunas de intenção da realidade” relata Jason Riis, cientista-chefe do comportamento da Behavioralize que estudou com Kahneman.

Essas lacunas formam percepções errôneas do mundo, criando inconsistências entre o que acreditamos e o que é real.

E isso pode estar por trás dos comportamentos prejudiciais à saúde das pessoas, por isso a análise do comportamento humano é fundamental para o avanço da saúde do futuro.

Pois com as informações sobre o que leva as pessoas a agirem de tal modo, os profissionais da saúde podem intervir atacando a causa e não o problema.

Portanto, ao invés de tratar a doença quando ela surge, os profissionais farão um trabalho de prevenção ajudando o paciente a alterar comportamentos que levariam a ter tais doenças.

Além disso, contar com a tecnologia como aliada deste novo cenário é fundamental, pois com a Inteligência Artificial (IA) os cuidados de saúde ganham mobilidade e acessibilidade, permitindo dar a solução certa na hora certa.

Os dados obtidos da IA  juntamente com a análise comportamental fornecem um leque maior de informações do paciente, incluindo seus hábitos. Dessa forma, se torna possível fazer um atendimento personalizado e em tempo real.

Certamente a análise do comportamento humano é o próximo passo, necessário, para o avanço da saúde do futuro, aliada a novas tecnologias é possível prevenir diversas doenças, evitando o sofrimento das pessoas.

*Isabela Abreu é CEO da RedFox

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