Comércio não pode ser punido mais uma vez

Comércio não pode ser punido mais uma vez

Nabil Sahyoun*

28 de janeiro de 2021 | 08h30

Nabil Sahyoun. FOTO: DIVULGAÇÃO

O setor do comércio mais uma vez foi vítima de uma ação política incoerente das autoridades paulistas responsáveis pelo combate à pandemia da Covid-19. No último dia 22 de janeiro, respondendo ao aumento do número de casos de internações e de mortes registrados no Estado de São Paulo, o governador João Doria anunciou a revisão do Plano São Paulo, que instituiu a Fase Vermelha nos finais de semana para bares, restaurantes, varejo e shoppings centers.

Mais uma vez, toma-se o risco de matar o paciente por administrar o remédio errado. Considerando que os finais de semana representam entre 40% e 50% do faturamento total da semana, o fechamento prejudicará ainda mais todos esses setores que já estão agonizando, aumentando o desemprego, reduzindo a remuneração dos funcionários em pelo menos 50% e provocando o fechamento dos negócios.

Para se ter uma ideia, desde o começo das restrições de funcionamento do comércio por causa da pandemia, em março de 2020, o setor de serviços já fechou cerca de 1,5 milhão de vagas de empregos, gerando um impacto social muito grande e obrigando as pessoas a saírem de casa para buscar algum tipo de trabalho para seu sustento.

É fundamental destacar que apoiamos fortemente o esforço do governo paulista para conter a disseminação da Covid-19 pelo Estado, no entanto restaurantes, bares, comercio e shoppings centers já cumprem os mais rígidos protocolos de prevenção estabelecidos pelo governo e por isso entende que não são responsáveis pela contaminação. A imensa maioria dos empresários do setor, que seguem à risca as determinações do Plano São Paulo, não pode ser punida por causa de alguns que desrespeitam as leis. Isso é facilmente comprovado em qualquer ida a um shopping center, por exemplo, em que as regras são rigidamente respeitadas.

Acredito que o foco do governo deva outro. É preciso fiscalizar as aglomerações que se registram por todo o país. O aumento da contaminação da Covid-19 tem ocorrido principalmente em aglomerações em festas particulares, baladas ilegais, nos chamados “pancadões” nos bairros periféricos e outros eventos que não têm fiscalização, além de feiras livres e transporte público. Por que não apertar a fiscalização nesses eventos, com sanções pesadas, inclusive criminais? Não se pode punir quem emprega, gera renda e impostos como é o caso do comércio.

Outro fato que nos traz preocupação é a constatação de que, com o fechamento de bares, restaurantes e shoppings centers nos finais de semana, os funcionários terão folga e a utilizarão para viajar para a praia, se reunir com amigos, ir a baladas, festas privadas e, assim, ajudar na disseminação do vírus entre a população da cidade de São Paulo.

É importante que o Governo do Estado de São Paulo entenda a dificuldade que milhares de empresas estão enfrentando e que as restrições anunciadas trazem mais ônus à população em um momento em que a economia não dá sinais de recuperação e o desemprego continua aumentando. Para se ter uma ideia, o setor de bares, restaurantes e shoppings é responsável por cerca de 5 milhões de empregos diretos e indiretos na capital paulista, vagas que estão ameaçadas pelas restrições determinadas pelo Plano São Paulo.

Aceitamos dar nossa cota de sacrifício em prol da sociedade e do combate à pandemia de Covid-19, como o fechamento do comércio às segundas-feiras, por exemplo. Queremos contribuir com o governo paulista no combate à pandemia, mas queremos em contrapartida que não sejamos mais vistos como polo de disseminação, pelos motivos citados anteriormente.

Apoiamos todas as medidas em prol da sociedade paulista e continuaremos ajudando a torná-la cada vez mais próspera.

*Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop)

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