Com US$ 1 bilhão de exportações, setor de rochas ornamentais busca maior internacionalização

Arnaldo Francisco Cardoso*

29 de janeiro de 2020 | 04h00

O setor de rochas ornamentais do Brasil, ao mesmo tempo em que tem enfrentado um mercado nacional cada vez mais competitivo, com a presença de empresas e produtos do mundo todo, tem avançado também em seu processo de internacionalização. É comum entre profissionais do setor a menção à terceira onda exportadora em que o setor se encontra. A primeira onda foi marcada pela exportação de blocos, a segunda de chapas e a terceira de produtos acabados, com maior valor agregado, prontos para aplicação.
Hoje, o setor exporta cerca de 1/3 da produção nacional, sendo os EUA, a China e a Itália os principais mercados de destino. O aumento da participação de chapas de quartzito e mármores nas vendas ao exterior tem contribuído para a elevação dos valores exportados pelo país. Diversificar a pauta e destinos se afirmam como desafios constantes.

Nos últimos vinte anos, o valor anual de exportações do setor foi multiplicado por cinco, ultrapassando hoje a cifra de US$ 1 bilhão anual.

O atingimento dos bons resultados deve-se à combinação de fatores como investimento empresarial em tecnologia, aposta na qualificação de profissionais do setor — destaque ao pessoal da área comercial sintonizado com o ambiente internacional de negócios — e as ações das entidades de representação e apoio ao setor como a ABIROCHAS (Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais), o Centrorochas (Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas), Sindirochas (Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais,) entre outras.

No âmbito de uma recente pesquisa realizada pelos pesquisadores Amanda Fonsi, Jean Ferreira e Nicolle Castanho, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Alphaville, analisando os processos de internacionalização das empresas Guidoni (brasileira) e Cosentino (espanhola) ao entrevistar o geólogo Cid Chiodi Filho, consultor técnico da ABIROCHAS, obteve, dentre outras importantes avaliações, a de que “no mercado interno, o grande desafio é transformar os fornecedores de rochas como sistemistas da construção civil, promotores de soluções integradas para o revestimento das edificações”. Já no que tange ao atendimento do mercado externo, Chiodi destacou que “o setor contabiliza mais de 400 empresas exportadoras de produtos abrigados nos capítulos 68 e 25 TEC NESH”. O mesmo profissional frisou, ainda, a importância da participação de empresas brasileiras em feiras setoriais no exterior para promoção de seus produtos.

Dentre as vantagens comparativas do país no mercado internacional de rochas ornamentais, os pesquisadores do Mackenzie identificaram que o fato do Brasil ter a maior geodiversidade mundial de rochas ornamentais se afirma como vantagem comparativa e, por meio de trabalho competente de empresas do setor, torna-se vantagem competitiva. Nessa direção, o presidente do Centrorochas, Frederico Robison, avalia que “o Brasil precisa mostrar o que produz com excelência. As rochas ornamentais brasileiras são muito mais que pedras: nós oferecemos diversidade, qualidade e acabamentos refinados”.

Associado à geodiversidade, outro fator de força é o parque industrial tecnologicamente atualizado que o país possui, com cerca de 350 modernos teares multifios. A aquisição e instalação de tornos multifuncionais automáticos se põe como novo patamar de atualização tecnológica.

No tocante às feiras setoriais, merece nota a presença de 45 empresas brasileiras do setor na última edição da Marmomac, importante feira anual que ocorre em Verona – Itália. Além da expressiva presença de empresas do país anfitrião, as 138 empresas da Turquia, 42 da Grécia, 39 da Alemanha, 34 do Egito e 23 do Irã, entre outras, atestaram a importância que essas feiras ocupam nas estratégias de comercialização e inserção internacional de empresas do setor.

Na agenda de feiras do setor, ocorrerá, entre os dias 11 e 14 de fevereiro, mais uma edição da Vitória Stone Fair, em Serra no Espírito Santo, com a presença de empresas de mais de 50 países e estimativa de 18 mil visitantes. Na agenda de eventos, em março será a vez da Expo Revestir, em São Paulo, quando tradicionais empresas do setor de rochas ornamentais também se farão presentes nesta que é considerada a principal feira do segmento de acabamentos da América Latina.

Pelas informações acima, vê-se que o setor de rochas ornamentais do Brasil vem enfrentando, de forma altiva, os desafios que se impõem num mercado globalizado que exigirá das empresas nacionais cada vez mais sinergia empresarial, visão estratégica e compreensão da dinâmica dos mercados internacionais.

*Arnaldo Francisco Cardoso é pesquisador e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville

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