Com Moreira Franco detido, 5 ex-governadores do Rio já foram presos

Com Moreira Franco detido, 5 ex-governadores do Rio já foram presos

Sérgio Cabral e Pezão estão custodiados; Anthony e Rosinha Garotinho estão soltos

Wilson Tosta / RIO

22 de março de 2019 | 05h00

Moreira Franco foi preso nesta quinta-feira, 21

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Com a prisão de Wellington Moreira Franco (MDB), todos os ex-governadores vivos do Rio eleitos desde a redemocratização estão presos ou passaram pela cadeia. Dos ex-chefes do Executivo estadual eleitos após 1985, só ficam fora da lista Leonel Brizola (PDT), morto em 2004, e Marcello Alencar (PSDB), que morreu em 2014.

Há também uma coincidência partidária: todos os detidos ou ex-detidos são ou foram do MDB/PMDB, que exerceu o poder no Rio de 1987 a 1991 e de 2003 a 2018. Integram o partido os três presos – além de Moreira, Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão – e foram filiados Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Estes chegaram a ser encarcerados, mas foram soltos. Todas as prisões ocorreram nos últimos três anos.

Outros dois ex-governadores, ainda vivos – Nilo Batista (PDT) e Benedita da Silva (PT) -, não passaram pelo cárcere, mas não foram eleitos para o cargo. Eram vice-governadores, que assumiram o Palácio Guanabara após a renúncia dos titulares. Exerceram o poder por poucos meses, encerrando mandatos de outros políticos.

Os ex-governadores que estão presos ou passaram pela prisão chefiaram o governo estadual por cerca de 19 anos. Em 11, atuou o esquema de corrupção chefiado por Cabral, governador de 2007 a 2014, que teria continuado sob o governo Pezão.

Moreira governou o Rio de 1987 a 1991. Derrotou Darcy Ribeiro (PDT), candidato da situação, em 1986. Para vencer, Moreira reuniu em torno do PMDB uma ampla coligação e aproveitou a onda de apoio gerada pelo Plano Cruzado ao governo José Sarney, também peemedebista.

Na campanha, em meio ao crescimento da criminalidade durante o primeiro governo Brizola (eleito em 1982), prometeu acabar com a violência em seis meses, o que não conseguiu. A má avaliação de seu governo abriu caminho para a volta de Brizola, que voltou ao governo por ampla votação em 1990.

O próprio Brizola, porém, não conseguiu reeleger o seu sucessor. Foi sucedido em 1995 por Marcello Alencar, ex-pedetista que foi para o PSDB. Entre os dois, o vice-governador, Nilo Batista, assumiu o governo durante alguns meses em 1994, quando Brizola deixou o cargo para tentar a Presidência, pela segunda vez. Marcello também fez um governo mal-avaliado e foi sucedido em 1999 por um adversário, Anthony Garotinho, então no PDT.

Garotinho governou até 2002, quando renunciou em favor de Benedita, para tentar a Presidência pelo PSB. Não foi eleito, mas conseguiu que sua mulher, Rosinha Garotinho, fosse eleita governadora. No PMDB, o casal apoiou a primeira eleição de Cabral para o governo, em 2006. Oito anos depois, impopular, Cabral sustentou discretamente a eleição de Pezão, seu vice que assumira o governo estadual.

Poucos anos depois, no fim de 2016, Cabral foi preso na Operação Calicute. Ele enfrenta 28 processos, foi denunciado mais uma vez nesta semana e já foi condenado a quase 200 anos de cadeia.

Pezão foi preso, acusado de participação no esquema do antecessor. Foi o único preso no exercício do cargo, no fim de 2018.

O casal Garotinho também conheceu a prisão. Os dois foram acusados de crimes eleitorais. Os dois conseguiram, porém, responder aos processos em liberdade.

Ambos alegam inocência, assim como Pezão. Cabral afirmava ter recorrido a caixa 2, mas recentemente admitiu que cometeu crimes de corrupção passiva, entre outros.

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