Com integridade, pelo Brasil, faça-se o melhor 

Com integridade, pelo Brasil, faça-se o melhor 

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio*

13 de dezembro de 2020 | 07h30

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Amigável, linha dura ou ambíguo. É em uma dessas qualificações que os governadores dos 50 estados americanos foram classificados por um think thank chinês (D&C Think) em relação às atitudes com a China.

D&C Think não é oficialmente ligado ao governo chinês, mas afirma ter parceria com o United Front Work Department, braço de influência política do Partido Comunista Chinês, entre outras organizações.

No ano passado, o secretário de estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, recebeu convite para evento cujo tema era: “Benefícios mútuos para o desenvolvimento econômico entre a China e os estados americanos”.

Esse evento fez parte da Cúpula de Colaboração dos Governadores dos Estados Unidos e da China. Uma das organizadoras foi a Associação Nacional dos Governadores Americanos (National Governors Association).

A outra organizadora da Cúpula foi a Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros (Chinese People’s Association for Friendship with Foreign Countries).

O mais importante era o que o convite não informava, conforme destacou o secretário Pompeo, em observações feitas no dia 8 de fevereiro deste ano, durante reunião de inverno da National Governors Association.

A Associação do Povo Chinês é a face pública da agência oficial de influência estrangeira do Partido Comunista Chinês, a United Front Work Department, parceira do think thank chinês que classificou os governadores americanos.

O secretário Pompeo tinha familiaridade com essa organização do Partido Comunista Chinês em função de seu período como diretor da Central Intelligence Agency (CIA).

Quantos dos governadores americanos (ou brasileiros que tenha participado de algum evento organizado pela agência do Partido Comunista Chinês, ou por outra) sabiam que se tratava de braço do Partido Comunista Chinês?

Nesse evento, governadores podem ter feito contatos, recebido pedidos de apresentação para outras pessoas politicamente poderosas, ou ofertas de grandes investimentos em estados, em indústrias sensíveis à segurança nacional.

A competição entre os Estados Unidos e a China acontece em todos os níveis (federal, estadual e local), com consequências para a política externa e para os cidadãos que residem nos estados americanos.

O Partido Comunista Chinês, ao classificar as atitudes, está constantemente trabalhando junto aos governadores americanos (e brasileiros), junto as equipes dos governadores.

No fim da Guerra Fria, os Estados Unidos se engajaram com a China. A percepção era de que quanto maior a interação mais chance de se tornar uma democracia liberal. Isso não aconteceu.

Sob o comando de Xi Jinping, a China foi na direção oposta. Mais repressão, mais competição desleal, mais práticas econômicas predatórias e uma postura militar mais agressiva.

Evidentemente isso não significa que não se possa fazer negócios com a China. Há espaços para cooperação quando os interesses convergirem, como a primeira parte do Acordo Comercial assinado entre os dois países no início do ano.

Como acontece nos Estados Unidos, o desenvolvimento de laços econômicos com a China são bons para os interesses de estados brasileiros, para o Brasil, sempre que a relação for íntegra.

A falta de integridade permite a instalação e operação da corrupção e, digamos, o patrocínio infiel de mandato: o interesse do mandatário em primeiro lugar, acima da necessidade dos seus compatriotas.

No Brasil, o que prefeitos, governadores e presidente não podem ignorar são as intenções estratégicas e as ações da China. Ignorar é colocar em risco importantes componentes da relação que beneficiam ambos os países.

Você, eu, nós, o povo, escolhemos viver em um Estado Democrático de Direito, preferencialmente elegendo para cargos legislativos e executivos pessoas com alto nível de integridade: A MAIS EFICAZ VACINA PARA O BEM DE TODOS.

*Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio, advogado

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