Com foco em Lula, nova etapa da Lava Jato chama ‘busca da verdade’

Com foco em Lula, nova etapa da Lava Jato chama ‘busca da verdade’

Ex-presidente nega ser proprietário de tríplex no Guarujá e diz que sítio foi comprado por amigos e reformado por José Carlos Bumlai para ele guardar o objetos que recebeu da população quando foi presidente; os dois imóveis são investigados pela operação

Mateus Coutinho, Andreza Matais e Fabio Fabrini

04 de março de 2016 | 08h09

(FILES) This file photo taken on August 29, 2015 shows Brazilian former president (2003-2011) Luiz Inacio Lula Da Silva participating in the 12th Congress of the Brazilian Workers Union (CUT) in Belo Horizonte, Brazil, on August 28, 2015. Brazil police search home on March 4, 2016 of ex-president Lula da Silva in corruption probe. / AFP / DOUGLAS MAGNO

O ex-presidente Lula. Foto: AFP

A 24ª fase da Lava Jato deflagrada nesta manhã e que tem mandados de condução coercitiva – quando o investigado é levado a depor pela Polícia Federal – para o ex-presidente Lula, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto é chamada ‘Aletheia’, expressão grega que significa “busca da verdade”.

A operação foi deflagrada com base em investigações sobre a compra e reforma de um sítio em Atibaia frequentado pelo petista, o fato de sua mudança ter sido transportada para o local e a relação desses episódios com empreiteiras investigadas na Lava Jato, além da relação dele com um tríplex no Guarujá reformado pela OAS.

As polêmicas obras do sítio frequentado pelo ex-presidente e reformado por empreiteiras e do tríplex da Bancoop, cooperativa dos bancários comandada pelo PT,  adquirido por Lula e sua mulher Marisa Letícia, que posteriormente desistiram da compra, estão na mira da força-tarefa da Lava Jato.

[veja_tambem]

Em ambos os casos, os imóveis foram reformados por empreiteiros investigados por terem participado do esquema de corrupção na Lava Jato. O ex-presidente afirma que o tríplex, que foi transferido para a OAS assim como outros apartamentos no mesmo edifício após a Bancoop ficar insolvente, em 2009, não é dele.

Além disso, em ação movida no Supremo Tribunal Federal, a defesa do ex-presidente alegou que o imóvel foi comprado pelo amigo e ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PT), em 2010, para que as duas famílias pudessem “conviver” e para que ele pudesse “acomodar objetos” recebidos do “povo brasileiro” durante seus dois mandatos. A defesa ainda admitiu que o pecuarista José Carlos Bumlai teria oferecido para bancar as obras de reforma do local.

Em recente petição encaminhada ao Supremo, para defender que a investigação envolvendo o ex-presidente seja conduzida pelo Ministério Público Federal no Paraná e não pelo Ministério Público de São Paulo, a força-tarefa da Lava Jato alegou que há suspeita de que as obras polêmicas seriam uma das vantagens oferecidas ao ex-presidente pelas empreiteiras em troca de contratos na Petrobrás quando Lula ainda era presidente.

Na investigação conduzida pelo MPF, o procurador da República Deltan Dallagnol aponta que a análise preliminar das provas reunidas demonstra “tipologia criminosa de lavagem de capitais já denunciada no âmbito da Operação Lava Jato, envolvem José Carlos Bumlai, executivos da Odebrecht e executivos da construtora OAS, todos investigados e muitos dos quais já denunciados no esquema de corrupção que assolou a Petrobrás”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: