Com documentos de Lichtenstein, Lava Jato vê mais crimes de Duque

Com documentos de Lichtenstein, Lava Jato vê mais crimes de Duque

Com base em papeis enviados pelo paraíso fiscal, força-tarefa do Ministério Público Federal atribui agora três delitos por lavagem de dinheiro ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás

Luiz Vassallo

08 Novembro 2017 | 05h00

Renato Duque Foto: RODRIGO FÉLIX LEAL/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

Com base nos papéis da cooperação internacional com o Principado de Lichtenstein, a força-tarefa da Operação Lava Jato aditou a denúncia contra o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e o lobista Guilherme Esteves. Documentos enviados pelas autoridades do paraíso fiscal revelam a titularidade de Esteves de uma offshore que foi utilizada para fazer pagamentos de US$ 4,4 milhões ao ex-agente público. Por ter identificado três transferências entre os investigados por meio de empresas de fachada, a Procuradoria imputou a eles mais três crimes de lavagem de dinheiro.

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Documento

Nesta denúncia, Esteves já era acusado de 7 crimes de lavagem de dinheiro. Com o aditamento, a procuradoria passa a denunciá-lo por cometer o delito 10 vezes. Já Duque, antes livre da acusação de branqueamento de capitais, passa a responder por três crimes.

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Segundo a denúncia, entre 2011 e 2014, o lobista Guilherme Esteves, na condição de representante comercial da Jurong, junto de outros estaleiros cartelizados, pagaram propinas a agentes da Petrobrás, entre eles, o então diretor Renato Duque.

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O então diretor de Engenharia e Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e o gerente executivo de Engenharia e Serviços da Petrobrás Roberto Gonçalves teriam recebido um sexto, cada, do total das propinas. Um sexto seria dividido entre Pedro José Barusco Filho, Eduardo Costa Vaz Musa e João Carlos de Medeiros Ferraz, à época em que eram diretores da Sete Brasil.

A denúncia ainda dá conta de que dois terços teriam sido destinados ao Partido dos Trabalhadores, com arrecadação por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

A contabilidade dos pagamentos teria sido realizada por Barusco, em ‘planilha na qual ele próprio, Renato Duque, João Ferraz e Eduardo Musa eram identificados pelas alcunhas de “SAB”, “MW”, MARS” e “MZB”.

A Procuradoria apontava Opadale Industries LTD como a empresa de fachada usada Guilherme Esteves para o pagamento de propinas. A conta da offshore é mantida no Banco Valartis Bank em Liechtenstein. Documentação bancária encaminhada pelo principado revelam três transferências da Opadale para a Drenos Corporation, mantida no Banco Cramer & CIE AS, na Suíça, de Renato Duque. Os papéis chegaram em fevereiro de 2017 às mãos dos investigadores brasileiros e, por meio deles, a transação foi identificada.

“Tais transferências, realizadas com o intuito de ocultar e dissimular o repasse de valores ilícitos decorrentes da prática dos crimes de organização criminosa e corrupção, configuram operações de lavagem de dinheiro, aludidas na exordial acusatória e que são agora denunciadas”, afirma a força-tarefa, em aditamento da denúncia.

“Nas datas de 23/05/20132 , 15/08/20133 e 13/12/20134 , Guilherme Esteves de Jesus, na condição de representante comercial e operador do Grupo Jurong, de modo consciente e voluntário, serviu-se de conta mantida em Liechtenstein, em nome da offshore Opdale Industries LTD., da qual era controlador, para remeter, respectivamente, as quantias de US$ 2.168.203,04 (dois milhões, cento e sessenta e oito mil e duzentos e três dólares e quatro centavos), US$ 1.195.063,00 (um milhão, cento e noventa e cinco mil e sessenta e três dólares) e US$ 1.063.675,31 (um milhão, sessenta e três e seiscentos e setenta e cinco dólares e trinta e um centavos) para Renato de Souza Duque, na conta nº 65408333 do Banque Cramer & CIE SA, localizada na Suíça e de titularidade da offshore Drenos Corporation S.A., controlada por Renato de Souza Duque, de forma a, assim, ocultarem e dissimularem a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade de valores provenientes, direta e indiretamente, dos delitos antecedentes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, praticados em detrimento da PETROBRAS”, detalha a força-tarefa.

De acordo com o Ministério Público Federal, ao analisar os documentos de Liechtenstein, Guilherme Esteves ‘era um dos responsáveis pela conta bancária’ Opdale, ‘com poderes para movimentá-la sozinho’; De outro lado do balcão, investigadores concluem que ‘a documentação relativa à conta Drenos Corporation S.A confirma que referida conta é de fato de propriedade de Renato Duque’.

COM A PALAVRA, DUQUE

A reportagem entrou em contato com a defesa de Renato Duque. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA FERNANDA TORTIMA, QUE DEFENDE ESTEVES

A defesa de Guilherme Esteves se manifestará apenas nos autos do processo.

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