‘Com certeza’ Palocci também era chamado de ‘Italiano’, afirma Emílio Odebrecht

Patriarca do grupo que fechou acordo de delação premiada, diz que o apelido era usado para identificar ex-ministro e outras pessoas, mas não sabe dizer se codinome de planilha da propina se referia ao petista

Valmar Hupsel Filho, Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

13 Março 2017 | 16h43

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No depoimento que prestou nesta segunda-feira, 13, ao juiz Sérgio Moro, o empresário Emílio Odebrecht, patriarca do grupo que leva seu sobrenome, afirmou que “com certeza” o ex-ministro Antonio Palocci era identificado como “Italiano”. Odebrecht, no entanto, ressalvou que outras pessoas também eram identificados por este apelido e não poderia afirmar que o “Italiano” que aparece na lista d propinas do grupo seja o petista.

“Eu mesmo, tenho companheiros que têm ascendência italiana que eu chamava de italiano. Não saberia dizer se efetivamente Italiano que se refere aí a estrutura. Mas com certeza ele (Palocci) também era identificado como Italiano”, disse o empreiteiro.

O nome de Palocci aparece ao lado do codinome “Italiano” na planilha encontrada no ano passado na casa do responsável pelo Setor de Operações Estruturadas, considerada pelos investigadores da Lava Jato como o setor especializado no pagamento de propinas. Ao codinome está associado o valor de R$ 128 milhões, que seriam dinheiro para o PT.

Emílio prestou depoimento nesta segunda-feira ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, como testemunha de defesa no processo em que o filho, Marcelo Odebrecht é réu, e o ex-ministro da Casa Civil e Fazenda são acusados de corrupção na contratação de sondas exploratórias do pré-sal com a Petrobrás.

Emílio Odebrecht disse que o apelido Italiano era usado para identificar diversas pessoas e que Palocci seria uma delas.

Segundo o advogado de defesa de Palocci, José Roberto Batochio, Emílio Odebrecht teria dito que não sabia que o apelido “Italiano” se referia a Palocci.

Doação. No depoimento, feito por videoconferência, Odebrecht foi questionado se tinha conhecimento de que Palocci recebeu ou intermediou para o PT pagamentos do setor de operações estruturadas, Emílio Odebrecht disse não ter dúvida de que aconteceram, mas não saberia dar detalhes porque se afastou da empresa em 2002.

“Não tenho dúvida de que deve ter havido, deve não, teve contribuição da organização ao partido. E não tenho dúvida de que pode ter sido também ele um dos operadores de recursos do partido. Agora, os detalhes disso eu não saberia dizer”, disse.

Odebrecht, no entanto, negou a existência de um departamento específico para distribuição de “recursos não contabilizados”.

“Não existe na organização o departamento. Não existiu nada disso de formalizar. O que existiu foi um responsável por operacionalizar recurso não contabilizados. Foi dada essa nomenclatura não sei nem como, e isso a imprensa vem repetindo, repetindo e repetindo que isso está se tornando como se fosse uma verdade”, disse. “Agora, esses pagamentos não contabilizados sem dúvida nenhuma existiram”, completou.

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