Collor nega ‘qualquer ingerência’ na BR Distribuidora

Collor nega ‘qualquer ingerência’ na BR Distribuidora

Em nota, assessoria do senador rechaçou delação do lobista e operador de propinas do PMDB que disse ter ouvido de Cerveró que ele estaria pressionando por negócio de R$ 1 bilhão

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

21 Outubro 2015 | 16h26

Fernando Collor é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Foto: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

Fernando Collor é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Foto: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

O senador Fernando Collor (PTB-AL) negou ‘qualquer ingerência’ na BR Distribuidora. O lobista Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB pela Operação Lava Jato, afirmou que, em 2012, o então diretor financeiro da BR Distribuidora Nestor Cerveró ( que havia sido diretor da área Internacional da Petrobrás) comentou com ele sobre uma suposta pressão feita por Collor na subsidiária da estatal petrolífera.

De acordo com Fernando Baiano, Cerveró falou sobre ‘negociações envolvendo políticos, em que o tom, o contexto e as circunstâncias sugeriam tratar-se de negócios ilícitos’.

“Se recorda de Nestor Cerveró ter comentado sobre uma negociação em que o senador Fernando Collor estaria pressionando para a BR Distribuidora adquirir uma quantidade enorme de álcool de uma safra futura, perante usinas indicadas pelo parlamentar, o que pareceu estranho ao depoente e a Nestor Cerveró, até mesmo pelo valor, que girava em torno de R$ 1 bilhão”, afirmou Baiano.

Na delação, o lobista não diz se a compra se concretizou.

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Por meio de nota, o senador negou ‘enfaticamente ter exercido qualquer ingerência – muito menos pressão – sobre a Petrobrás ou sua subsidiária BR Distribuidora’. “O senador não se dignará a responder a especulações infundadas de delator a partir do que supostamente ouviu dizer de terceira pessoa, e que não apontam concretamente qualquer fato específico, nem lhe atribuem prática de qualquer ilegalidade”.

Collor já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações indicam que Collor recebeu R$ 26 milhões em propina entre 2010 e 2014 por um contrato de troca de bandeira de postos de combustível assinado pela BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, e por outros contratos da estatal com a UTC Engenharia, outro alvo da Lava Jato.

A denúncia contra Collor detalha o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo senador, com a compra de carros de luxo, além de delações que apontam entrega de dinheiro em mãos ao político. Subordinado do doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato, Rafael Ângulo relatou ter dado pessoalmente R$ 60 mil a Collor em um apartamento do parlamentar. A Polícia Federal também obteve a confirmação de oito comprovantes de depósito em nome do senador, mencionados em delação por Youssef. O doleiro disse ter feito “vários depósitos” a Collor, no valor de R$ 50 mil.

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