Colegas de Gim Argello dizem a Moro que ex-senador não pediu proteção para empreiteiras

Colegas de Gim Argello dizem a Moro que ex-senador não pediu proteção para empreiteiras

Políticos convocados como testemunhas de defesa garantiram ao juiz da Lava Jato que petebista, preso na Operação Vitória de Pirro, nunca lhes solicitou 'qualquer ato' ilícito ou imoral

Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

18 de agosto de 2016 | 15h15

Gim Argello está preso na Lava JAto. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Gim Argello está preso na Lava JAto. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Dois senadores e dois deputados federais que integraram CPIs da Petrobrás em 2014 afirmaram ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato em primeira instância, que o ex-senador Gim Argello nunca os procurou para pedir propinas ou para pedir que não convocassem determinadas empreiteiras.

Os senadores José Pimentel (PT/CE) e Flexa Ribeiro (PSDB/PA) e os deputados Marco Maia (PT/RS) e Carlão Sampaio (PSDB/SP) foram ouvidos por vídeo conferência, na semana passada.

Argello foi preso na Operação Vitória de Pirro, desdobramento da Lava Jato que atribui ao ex-senador o papel de articulador de um suposto plano de blindagem de empreiteiras envolvidas com o cartel instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

O ex-senador teria exigido R$ 5 milhões de cada empreiteira para poupá-las de convocação da CPI no Senado e da CPMI – ambas abertas em 2014 para investigar ilícitos na estatal petrolífera.

A investigação mostrou que a UTC Engenharia, apontada como líder do clube Vip das construtoras, repassou R$ 5 milhões para partidos de uma coligação indicada por Argello. Outros R$ 350 mil ‘doados’ pela OAS foram parar na conta de uma igreja de Taguatinga, no Distrito Federal, muito frequentada por Argello.

Os quatro políticos ouvidos por Moro declararam que Argello não os procurou para ‘abafar’ as comissões de inquérito.

Marco Maia, que foi relator da CPMI da Petrobrás, declarou que a comissão produziu ‘relatório extremamente consistente, com mais de 900 páginas e 52 indiciamentos, que incluem pessoas que ainda não haviam sido indiciadas pela Polícia Federal em Curitiba.”

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