Coaf vê lavagem de ‘motorista’ de Perrella em agência bancária do Congresso

Coaf vê lavagem de ‘motorista’ de Perrella em agência bancária do Congresso

Relatório do órgão que rastreia operações atípicas aponta movimentação de recursos incompatível com o patrimônio e 'em benefícios de terceiros' em conta de Braulio de Campos Pimenta, funcionário do senador Zezé Perrella (PMDB-MG)

Julia Affonso e Luiz Vassallo

01 de junho de 2017 | 05h15

Zezé Perrella. Foto: Pedro França/Agência Senado

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vê indícios de lavagem de dinheiro do ‘motorista’ do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). O documento apontou que a movimentação de recursos da conta de Braulio de Campos Pimenta, em agência do Congresso, é ‘incompatível com o patrimônio e em benefícios de terceiros’.

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O Coaf é um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que rastreia movimentações financeiras atípicas e atua no combate à lavagem de dinheiro.

O documento foi anexado pela Procuradoria-Geral da República à Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato que prendeu o secretário parlamentar Mendherson Souza Lima, de Zezé Perrella, e pegou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente Michel Temer.

Pimenta é servidor comissionado no Senado. Foi admitido em 2011 e consta no quadro da Casa como ‘assistente parlamentar júnior’ lotado no gabinete de Perrella. O Coaf analisou as movimentações financeiras do funcionário do peemedebista entre agosto de 2016 e janeiro de 2017.

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“Não identificamos justificativas para a movimentação da conta do analisado, que aparenta referir-se a recursos de terceiros. Comunicamos por não encontrar fundamentos econômicos ou legais para a movimentação financeira, podendo configurar a existência de indícios do crime de lavagem de dinheiro”, destaca o documento.

“Cliente desde março de 2008, é servidor público federal (motorista do Senado Federal), renda mensal de R$ 7.415,57 (julho de 2015). O analisado não possui participação em empresas. Verificamos que ele é procurador do senador Zezé Perrella, com poderes para requisitar talonários de cheques, cadastrar, alterar e desbloquear senhas, efetuar saques de conta corrente e efetuar transferências por meio eletrônico”, aponta o documento.

O senador é sócio da empresa Pental Participações e Empreendimentos e também seria administrador da empresa Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários, cujo sócio majoritário é seu filho.

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O documento destaca os ‘créditos mais relevantes’ de Braulio de Campos Pimenta. Os valores, segundo o Coaf, alcançam R$ 194.210,00. Deste total, R$ 133.700,00 são referentes a transferências e TEDs, R$ 38.055,00 a proventos e R$ 22.455,00 a depósitos online.

O Coaf identificou os três principais remetentes de recursos à conta de Pimenta. O órgão verificou R$ 68.460,00 de Perrella, R$ 49 mil de uma secretária parlamentar do Senado, R$ 10 mil da Tapera.

Os débitos mais relevantes, segundo o Coaf, somaram R$ 179.046,59. Deste montante, R$ 62.648,64 em pagamentos de títulos, R$ 49 mil em saques, R$ 28.680,00 em DOCs e transferências, R$ 25.015,50 em cheques e R$ 13.702,45 em pagamentos de cartão de crédito.

“Aparentemente, todos os saques foram realizados em espécie, o que inviabiliza a identificação do destino dado aos recursos. Por amostragem, verificamos que a maior parte dos títulos pagos são de outros bancos, não sendo possível identificar os cedentes”, destacou o Coaf.

O órgão do Ministério da Justiça apontou os beneficiários dos recursos: R$ 11.760,00 pagos em cheques nominais a uma empresa de piscina, R$ 13.146,00 a terceiros, R$ 3.600,00 a uma vendedora e copeira, R$ 7.860,50 em cheque a uma empresa de produtos eletrônicos em Brasília, R$ 2.422,18 a uma empresa de informática e R$ 1.415,00 a uma ‘assistente técnica de gabinete adj da Câmara dos Deputados’.

VEJA AS OCORRÊNCIAS IDENTIFICADAS PELO COAF

I – a) realização de depósitos, saques, pedidos de provisionamento para saque ou qualquer outro instrumento de transferência de recursos em espécie, que apresentem atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômico-financeira; Banco Central do Brasil – Carta Circular nº 3.542 – art. 1º

IV – a) movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente; Banco Central do Brasil – Carta Circular nº 3.542, art. 1º

IV- c) movimentação de recursos de alto valor, de forma contumaz, em benefício de terceiros; Banco Central do Brasil – Carta Circular nº 3.542, art. 1º

QUEM É BRAULIO DE CAMPOS PIMENTA, SEGUNDO O SITE DO SENADO

Nome BRÁULIO CAMPOS PIMENTA
Vínculo COMISSIONADO
Situação ATIVO
Admissão 2011
Cargo/Plano CARGO EM COMISSÃO
Função AP-09
Nome da Função ASSISTENTE PARLAMENTAR JÚNIOR
Lotação Gabinete do Senador Zezé Perrella

COM A PALAVRA, BRAULIO DE CAMPOS PIMENTA

“A única movimentação que faço são transferências da conta do senador para a minha conta para compras e pagamentos pertinente a despesas da residência do senador. Tenho procuração do mesmo para fazer as transferências na qual ao final de cada mês presto contas a ele lembrando que as despesas não são de grande monta, são despesas normais de uma residência. Jamais seria lavagem de dinheiro, porque todas as compra apresento as notas fiscais para ele. Não sou motorista, sou assessor do senador.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY

“O Zezé, de tempos em tempos, quando precisa, ele próprio Zezé pega o dinheiro e deposita na conta do Braulio e depois eles fazem um ajuste. Na realidade, o Braulio não teria como fazer a compra. O supermercado fica em R$ 3 mil, ele não teria dinheiro para pagar. O Zezé não usa o cartão de crédito para isso, porque teria que dar o cartão de crédito dele Zezé para o Braulio. É de uma simplicidade enorme. Dinheiro que o Zezé deposita na conta do Braulio para suprir as necessidades da casa, do dia a dia. Realmente falar em lavagem de dinheiro, o Coaf começa a passar para uma imputação teratológica que certamente vai desmoralizá-los. Não tem nenhum sentido jurídico, não tem nenhum fundamento. É uma devassa desnecessária e partindo de premissas absolutamente falsas.”

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