COAF quer sufocar capacidade financeira de facções do narcotráfico

COAF quer sufocar capacidade financeira de facções do narcotráfico

Autoridade de inteligência financeira brasileira quer capacitar polícias civis estaduais para seguir dinheiro movimentado por organizações ligadas ao comércio de drogas

Fabio Serapião e Adriana Fernandes/BRASÍLIA

22 Maio 2018 | 05h51

Antonio Carlos Ferreira de Sousa, presidente do Coaf. Foto: COAF

O Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por mapear e informar as autoridades sobre transações financeiras suspeitas, vai expandir sua atuação na capacitação das polícias civis estaduais para que elas consigam suprimir a capacidade de compra das facções criminosas ligadas ao narcotráfico.

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A estratégia por trás da expansão da atuação prevista pelo COAF é a de que é preciso que os investigadores estaduais conheçam os meandros dos crimes financeiros para ‘seguir o dinheiro’ dos criminosos.

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As polícias civis poderão ter acesso à ferramentas disponíveis para o combate a esse tipo de crime.

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Essa atuação conjunta já é feita no âmbito federal com a Polícia Federal e o Ministério Público.
“O COAF é uma dessas ferramentas, mas é preciso uma adequação e capacitação desses investigadores para que eles possam receber as informações produzidas pelo órgão”, diz o presidente do órgão, Antônio Carlos Ferreira de Sousa.

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Ao capacitar esses investigadores estaduais, diz Sousa, o COAF conseguirá massificar a atuação visando o supressão econômica-financeira dos grupos criminosos. O efeito colateral, compara Souza, é o surgimento de uma exército de investigadores gerando informações de inteligência financeira.

“Sem dinheiro não é possível comprar armas nem drogas. Não é possível ter essas coisas no escambo”, diz Sousa.

As facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN) estão na mira das autoridades brasileiras e são o principal desafio para os órgãos sob as diretrizes do recém-criado Ministério da Segurança Pública.

O Coaf já deu apoio às polícias civis em estados como o Amazonas, na Paraíba e agora testa um projeto piloto em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. O objetivo é levar para as polícias estaduais o modelo de atuação desenvolvido no âmbito federal em que o alvo das investigações, prioritariamente, é a capacidade financeira dos grupos criminosos.

Segundo o presidente do Coaf, algumas polícias civis já possuem laboratórios de combate à lavagem e estruturas especializadas com capacidade de atuar na supressão do financiamento dos grupos criminosos.

Para Sousa, é preciso capacitar e instrumentalizar as policiais estaduais para que elas adotem o conceito de que combater o crime “requer supressão da capacidade de pagamento”. As polícias civis poderão para o recebimento e solicitação dos Relatórios de Investigação Financeira (RIF).

O RIF é o documento produzido pelos analistas do COAF com base nas transações investigadas. A meta de capacitar as forças de segurança estaduais está adequada a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).

Para isso, a Enccla criou um programa nacional de treinamento que visa capacitar delegados, promotores, procuradores e demais agentes públicos que participam de investigação de combate à lavagem de dinheiro e corrupção. O Coaf participa desses treinamentos e fornece profissionais que explicam desde como solicitar os relatórios até como interpretá-los.

Vizinhos. Como unidade de inteligência financeira do Brasil, o Coaf se relaciona outros órgãos com mesma atuação de 145 países. A comunicação entre eles, do ponto de vista operacional, se dá por meio de um sistema chamado Grupo de Egmont.

Para o presidente do COAF, como as facções atuam de forma transnacional, é preciso aumentar a quantidade de troca de informações com países vizinhos para que seja possível atuar de forma mais eficaz.