Coaf produziu 7,2 mil relatórios de inteligência em 2018, aponta balanço

Coaf produziu 7,2 mil relatórios de inteligência em 2018, aponta balanço

A lista traz cerca de 330 mil comunicações de operações suspeitas e realizadas em dinheiro em espécie

Adriana Fernandes e Fabio Serapião / BRASÍLIA

27 Dezembro 2018 | 20h42

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu e encaminhou as autoridades 7.279 Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), que relacionaram mais de 370 mil pessoas físicas e jurídicas durante este ano, de acordo com balanço divulgado pelo órgão. A lista traz cerca de 330 mil comunicações de operações suspeitas e realizadas em dinheiro em espécie.

Os RIFs são produzidos com base em informações fornecidas por setores obrigados a reportar ao Coaf todas a transações suspeitas e acima do limite estipulado pelo Banco Central para transações em dinheiro em espécie. O reforço nas regras de comunicação se intensificou no final do ano passado. Em janeiro deste ano, as transações com valor igual ou superior a R$ 30 mil quitadas em espécie passaram a ser informadas à Receita Federal. São obrigadas a declarar as empresas e as pessoas físicas que receberem o dinheiro.

Além dos bancos, fornecem informações ao Coaf corretoras, empresários de artistas e atletas, joalherias e comerciantes de pedras preciosas. Somente neste foram 3 milhões de comunicações recebidas sobre transações suspeitas e em espécie.

Com essas informações o técnicos do Conselho, que deve sair do Ministério da Fazenda e ir para a pasta de Justiça comandando por Sérgio Moro, produzem relatórios como o que cita o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro.

“Siga o dinheiro! Esse é o princípio de atuação do COAF na prevenção e combate à lavagem de dinheiro”, afirmou Antonio Ferreira.

Alem de receber e organizar as informações recebidas dos setores obrigados, o Conselho também recebe pedidos de investigadores e demais autoridades nacionais e internacionais.

Segundo Coaf, foram recebidos 6.915 pedidos de informações de autoridades nacionais e realizadas 297 trocas de informações com outras Unidades de Inteligência Financeira no exterior.

“Destacam-se, entre os RIFs produzidos em 2018, cerca de 400 que municiaram a Força Tarefa Lava Jato no Paraná e Rio de Janeiro, a operação Cui Bono, Greenfield, Cadeia Velha, bem como aquelas operações destinadas à supressão da capacidade de pagamento de organizações criminosas que atuam dentro e fora dos presídios”, diz nota divulgada pelo órgão.

A atuação em conjunto as polícias judiciárias e o Ministério Público resultou, segundo o Coaf, no bloqueio de cerca de R$ 36 milhões no Brasil e no exterior, relacionados a investigações sobre lavagem de dinheiro e outros crimes.