Coaf apontou ‘movimentações suspeitas’ de empresário candidato do PSL em Minas

Coaf apontou ‘movimentações suspeitas’ de empresário candidato do PSL em Minas

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indica ‘características de burla da identificação da origem e do destino’ de valores que Celton Rocha Mesquita girou na conta da filha em 2017; empresário tentou se eleger deputado estadual em Minas em 2018

Julia Affonso

25 de fevereiro de 2019 | 07h00

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou, em relatório, ‘movimentação suspeita’, em 2017, em conta poupança ligada ao empresário Celton Rocha Mesquita. Ele foi candidato a deputado estadual, em 2018, pelo PSL em Minas. No documento, o Coaf afirma que o caso foi reportado, ‘pois trata-se de movimentação suspeita com características de burla da identificação da origem e do destino com agravante de serviços prestados a órgãos públicos’.

Documento

Em outubro de 2018, Celton Mesquita recebeu 13.493 votos e não foi eleito. O empresário filiou-se ao PSL em 7 de abril do ano passado. Ele já havia tentado os cargos de vereador em Belo Horizonte, pelo PTN, em 2016, e de deputado federal, pelo PT do B, em 2014. Em ambas as eleições, Celton Mesquita ficou como suplente.

A conta ligada ao empresário, controlador da Apherphil Vigilância, foi relatada pelo banco Santander ao Coaf em maio de 2018. Segundo o relatório, a conta poupança foi aberta por ele em dezembro de 2014 para uma filha menor de idade.

O Coaf relatou que, ‘desde a abertura da conta, os créditos totalizaram R$ 1,7 MM’. Foram sacados, segundo o Conselho, R$ 700 mil por Celton Mesquita e foram devolvidos para sua empresa R$ 738,7 mil.

“Verificamos que o cliente é correntista, mas utiliza a conta da filha para movimentar recursos de sua empresa Aperphil Vigilância Ltda Me, que também possui conta no Santander. O que causa estranheza é que os recursos ingressados provêm de transferências da empresa Aperphil Vigilância sendo uma parte sacada e a outra devolvida para a própria empresa tanto no Santander como Teds (Transferência Eletrônica Disponível) para o Itaú”, indicou o relatório.

O Conselho afirmou que a ‘Aperphil Vigilância presta serviços de segurança armada nas dependências dos Museus Regionais de Minas Gerais’. A empresa foi aberta, de acordo com a Receita, em 15 de outubro de 2007.

O relatório descreve movimentações entre 16 de janeiro de 2015 e 30 de março de 2017. Segundo o Coaf, a ‘origem de R$ 1.755.640,00’ é composta por dois depósitos em espécie de R$ 64 mil, depósitos em che ques de R$ 33,6 mil, transferências de R$ 1,6 milhão da Aperphil Vigilância.

Já o destino de R$ 1.760.741,00 é dividido em: 58 saques de R$ 698,5 mil para o próprio empresário, compras a débito no valor de R$ 16,7 mil, transferências de R$ 391 mil – para a Aperphil Vigilancia (R$ 177,3 mil), para ele (R$ 10 mil) e para terceiros (R$ 140 mil) – e Teds de R$ 654,4 mil – a mais alta para a sua empresa, R$ 561,4 mil.

De acordo com o Conselho, Celton Mesquita declarou ao banco uma renda de mensal de R$ 25 mil. O empresário relatou um faturamento anual de R$ 8,4 milhões da Aperphil.

O documento do Coaf registrou uma movimentação de R$ 2,5 milhões entre 28 de março de 2017 e 23 de junho de 2017. O Conselho apontou um recebimento de R$ 1.276.331,00, divididos em R$ 372,4 mil de Furnas Centrais Elétricas, R$ 33,6 mil da Fundação Nacional do Índio (Funai), R$ 26,2 mil do então Ministério da Fazenda, R$ 111,8 mil da Justiça Federal de Primeiro Grau em Minas, R$ 59 mil do Instituto Federal Educação Ciência Tecnologia Sul Minas Gerais (IF Sul de Minas), R$ 69,5 mil do Instituto Brasileiro De Museus (Ibram), R$ 460,3 mil da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros.

O Conselho apontou que o destino de R$ 1.273.669,00 foram divididos em saques de R$ 118,3 mil, pagamento de contas de R$ 213,2 mil e transferências de R$ 516,3 mil e Teds de R$ 421,8 mil, entre outros.

COM A PALAVRA, CELTON ROCHA MESQUITA

A reportagem ligou para a Aperphil Vigilância durante toda a semana. O espaço está aberto para manifestação.

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