CNJ recebe pedido para investigar juíza por apologia à aglomeração na pandemia

CNJ recebe pedido para investigar juíza por apologia à aglomeração na pandemia

Ludmila Lins Grilo, da Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Unaí, no noroeste de Minas Gerais, publicou registros de viagem a Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, com a hashtag #AglomeraBrasil

Rayssa Motta

04 de janeiro de 2021 | 14h25

Em meio a uma nova escalada da pandemia de covid-19, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu uma representação pedindo a abertura de um processo administrativo contra a juíza Ludmila Lins Grilo, da Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Unaí, no noroeste de Minas Gerais, por publicações nas redes sociais em defesa da aglomeração de pessoas.

Documento

No documento enviado do sábado, 2, o advogado José Belga Assis Trad afirma que a magistrada cometeu infração ético-disciplinar ao se manifestar contra as recomendações das autoridades sanitárias. “As pessoas que nela confiam por ser uma autoridade integrante do Poder Judiciário certamente serão influenciadas por sua irresponsável e inconsequente manifestação, que, de tão absurda, pode estar a configurar crime de apologia à infração de medida sanitária preventiva”, diz o pedido.

Publicações da juíza Ludmila Lins Grilo no Twitter. Foto: Reprodução

Ludmila usou o perfil no Twitter para publicar registros de uma viagem a Búzios, no litoral fluminense, durante das comemorações de Ano Novo. Nas postagens, afirma que a ‘cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão’ e inclui a hashtag #AglomeraBrasil.

Em dezembro, a Justiça do Rio chegou a proibir a entrada de turistas, o acesso às praias e a circulação de táxis, carros de aplicativo e ônibus intermunicipais em Búzios na tentativa de evitar a disseminação do novo coronavírus no período de festas de fim de ano, quando o fluxo de viajantes na região é mais intenso. A liminar acabou derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Cláudio de Mello Tavares.

COM A PALAVRA, A JUÍZA

“Sobre a representação, trata-se de uma previsível reação histérica do establishment contra a livre circulação do pensamento divergente, com a finalidade de manter juízes confinados no curral do politicamente correto mediante o recebimento de uma polpuda ração mensal de 30 mil reais que os torna dóceis e obedientes.”

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