CNJ investiga desembargadora que disse que Boulos ‘vai ser recebido na bala’

CNJ investiga desembargadora que disse que Boulos ‘vai ser recebido na bala’

Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, afirmou que o líder do MTST 'vai ser recebido na bala, depois do decreto do Bolsonaro'; ela já é investigada em outros cinco procedimentos disciplinares, todos relativos ao uso de redes sociais

Ricardo Galhardo e Luiz Vassallo

17 de janeiro de 2019 | 20h50

Desembargadora Marilia Castro Neves compartilha postagem de página pró-Bolsonaro com a imagem de Guilherme Boulos. A foto foi apagada das redes sociais. Foto: Reprodução

O corregedor nacional de Justiça em exercício, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, determinou a abertura de Pedido de Providências para apurar conduta da desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), após a magistrada dizer, em sua conta no Facebook, que, ‘depois do decreto do Bolsonaro’, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, ‘vai ser recebido na bala’.

O colegiado abriu o procedimento para apurar se a desembargadora teve ‘conduta vedada aos magistrados, em decorrência de postagens feitas por ela em redes sociais’.

A desembargadora compartilhou um meme do perfil Eu Apoio Bolsonaro com a foto de Boulos e a frase: “a tristeza no olhar de quem sabe que vai ser recebido na bala depois do decreto do Bolsonaro”.

Boulos rebateu. “Essa desembargadora é um exemplo de como não deve se portar um magistrado. Ao invés de equilíbrio, ameaças. Tem arroubos nas redes sociais que deveriam envergonhar um adolescente. Atacou covardemente a memória de Marielle, ameaçou Jean Wyllys e agora incita a violência contra mim. Onde vai parar? Vamos tomar as providências jurídicas e esperamos que o Judiciário coloque limites a essa conduta inconsequente e flagrantemente ilegal”

Segundo Corrêa da Veiga, tramitam no CNJ cinco procedimentos disciplinares contra a magistrada, todos relativos ao uso das redes sociais de forma incompatível com os “princípios que norteiam a conduta do magistrado”.

“Com a abertura do procedimento, foi dado o prazo de 15 dias para que a desembargadora se manifeste sobre as publicações. Após a resposta da magistrada, a Corregedoria do CNJ decidirá sobre a necessidade ou não de abrir processo administrativo para investigar a conduta”, afirma o CNJ, por meio de nota.

No seu perfil nas redes sociais, a desembargadora considerou a reação ao comentário sobre Boulos como “tipo de censura” e “discurso de ódio”, alegando que “É assim que começa a ditadura”.

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