CNJ afasta juiz acusado de assédio sexual e ‘falta de urbanidade’

Magistrado Glicério de Angiólis Silva também é alvo de denúncias de remoção irregular de servidores

Marina Dayrell

06 de fevereiro de 2019 | 07h06

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu na tarde da última terça-feira, 5, abrir Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e afastar das atividades o magistrado Glicério de Angiólis Silva, acusado de assédio sexual e moral nas comarcas de Miracema e Laje de Muriaé, no Estado do Rio de Janeiro.

Segundo informações divulgadas pelo CNJ, o caso já havia sido analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), mas, apesar da conduta irregular do juiz segundo as denúncias, foi arquivado sob o argumento de que “as reclamações foram motivadas pelo eficiente trabalho promovido por ele”.

O magistrado era alvo de dez acusações, como assédio sexual contra duas estagiárias, falta de urbanidade com advogados e servidores e remoção irregular de servidores.

O processo foi levado ao CNJ pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. A conselheira Iracema do Vale, relatora da revisão disciplinar, pediu o aprofundamento das investigações. “Inadmissível que um magistrado, investido regularmente de suas funções jurisdicionais, venha a portar-se de forma censurável, ainda mais em seu local de trabalho. Espera-se moderação, equilíbrio e sobriedade para a preservação da autoridade do cargo”, enfatizou.

O presidente do CNJ, ministro Dias Toffoli, também reforçou a necessidade de abertura do Processo Administrativo Disciplinar e do afastamento do magistrado.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS DO RIO DE JANEIRO

A Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ) vem a público manifestar seu apoio ao associado Glicério de Angiolis Silva, titular da Comarca de Miracema (RJ), diante da instauração de processo administrativo disciplinar pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O relatório que embasou a decisão em grande parte repetiu denúncias que já haviam sido avaliadas pela Corregedoria Geral de Justiça e pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, com a conclusão de que o magistrado investigado não havia cometido assédio. A AMAERJ confia na reversão da decisão do CNJ.

Rio de Janeiro, 06 de fevereiro de 2019.

Renata Gil de Alcantara Videira
Presidente da AMAERJ

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