Clubhouse: um exagero ou criador de tendências?

Clubhouse: um exagero ou criador de tendências?

Alexandra Avelar*

23 de março de 2021 | 07h06

Alexandra Avelar. FOTO: DIVULGAÇÃO

Hoje, o Clubhouse possui cerca de 2 milhões de usuários ativos por semana, com muitas pessoas ainda esperando para receber um convite. É, sem dúvida, o app do momento e também um dos assuntos mais comentados. Além disso, as aparições de Elon Musk e Mark Zuckerberg o impulsionaram para os holofotes nas últimas semanas. Mas, da mesma forma como muitas pessoas se aglomeram para participar de bate-papos, também houve feedback de que o aplicativo pode ser um bandido do tempo, com os usuários passando horas ouvindo conversas até encontrarem uma boa fonte de informação. Mas o que há de tão quente no Clubhouse?

Essencialmente, o aplicativo está dando às pessoas acesso a conversas estimulantes em um momento em que a pandemia global forçou muitos de nós ao distanciamento. Ele está também, e isso é algo bastante único, democratizando o acesso a líderes inspiradores, celebridades e educação. Onde mais os usuários podem conversar com conhecidos investidores-anjos do Vale do Silício, ouvir magnatas da música e falar com o CEO de uma empresa listada na Fortune 500?

Então, o que a ascensão do Clubhouse significa para os profissionais de marketing? Com base no que sabemos sobre o aplicativo, podemos ver possibilidades infinitas para os especialistas em marketing alcançarem e segmentarem públicos com conteúdo relevante. Da mesma forma que os profissionais da área alavancam nano e microinfluenciadores para alcançar e se envolver com um público em um tópico específico, como maquiagem ou condicionamento físico, as salas do Clubhouse podem servir ao mesmo propósito.

Outro aspecto do app que deve torná-lo atraente para os profissionais de marketing é o contato direto que ele oferece com o público. Agora, mais do que nunca, os consumidores esperam que as marcas sejam autênticas, acessíveis e confiáveis. As empresas que se abrem para o formato interativo do Clubhouse provavelmente ganharão pontos na aposta de credibilidade com seus clientes e consumidores em potencial.

Por fim, o Clubhouse oferece às companhias a oportunidade de apresentar seus conhecimentos. Por exemplo, se você é uma empresa como a Nike, deseja que seus clientes saibam que você tem experiência em entender o que um corredor precisa encontrar em um tênis de corrida de alto desempenho, as salas de bate-papo do aplicativo podem fornecer o ambiente perfeito para mostrar essa experiência e construir credibilidade.

A plataforma claramente tem potencial para ser uma ferramenta poderosa para os profissionais de marketing, mas no mundo digital o sucesso tem seu preço. Com cerca de 2 milhões de usuários ativos por semana, o alcance direto do Clubhouse é pequeno se comparado com as plataformas de mídia social já estabelecidas. Uma coisa é certa, entretanto, quando o Clubhouse decidir se tornar mainstream e se abrir para usuários e anunciantes, ele enfrentará os mesmos desafios que as outras plataformas de mídia social – moderação de conteúdo e poluição digital. O Facebook e o Twitter há muito enfrentam os desafios de verificar o que é postado, empregando uma mistura de tecnologia e mão de obra para resolver o problema. Mas o que os usuários do Clubhouse sentirão quando a plataforma perder seu apelo bruto e não filtrado? E como a ferramenta irá moderar o conteúdo de áudio? A plataforma fez uma postagem sobre moderação da comunidade, o que é, sem dúvida, um bom começo. No entanto, a orientação nesse ponto parece depender muito de indivíduos se comportando bem e seguindo as diretrizes estabelecidas, e menos da tecnologia para ajudá-los a gerenciar a moderação em escala.

Os membros do Clubhouse relatam conversas com líderes empresariais, líderes de pensamento, influenciadores e celebridades. Eles falam de discussões sobre tudo, desde música e filosofia até o stand up comedy, com pitadas de outros assuntos. Onde mais os usuários podem ter essa experiência hoje? A resposta é em lugar nenhum. Mas, como acontece com qualquer aplicativo de mídia social, o sucesso a longo prazo dependerá da sua capacidade de atrair e reter usuários e de se expandir enquanto oferece algo único. Hoje a plataforma é exclusiva, o que adiciona um elemento de desejo e mistério, mas onde estarão os usuários quando a oferta do Twitter Spaces for lançada e se o Facebook decidir lançar um formato competitivo?

*Alexandra Avelar é country manager da Socialbakers no Brasil, empresa líder global em soluções para a otimização de performance corporativa em redes sociais

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