ClubHouse para advogados: oportunidades e cuidados com a nova rede

ClubHouse para advogados: oportunidades e cuidados com a nova rede

Bruno Pedro Bom*

09 de fevereiro de 2021 | 15h55

Bruno Pedro Bom. FOTO: DIVULGAÇÃO

O que é a nova rede social?

A Clubhouse se propõe a ser uma rede social global para conversas, sejam elas casuais, profissionais ou até mesmo aquelas em que você não foi convidado, mas que quer fazer parte, nem que seja como ouvinte.

O dono da Tesla, Elon Musk, divulgou nos primeiros dias de fevereiro que conversou com Vlad Tenev, presidente executivo do Robinhood – app de investimentos – pelo aplicativo, o que gerou bastante buzz nas outras redes. A Clubhouse é uma tendência irrefreável.

O conceito da rede é promover conversas entre usuários do mundo inteiro e transformar os formatos de interações e conexões no ambiente digital. Agora, as lives poderão ser transformadas em salas sem vídeo, só com áudio.

A Clubhouse é inovadora, porque aproxima e humaniza as relações via conversações de áudio em tempo real e sobre os mais variados assuntos. Já imaginou esbarrar com um ministro do STF ou um influenciar jurídico digital em um bate-papo sobre LGPD?

Na nova plataforma, as noções de comunidade – sejam elas criadas na rede ou reforçadas pelo omnichannel, uma vez que conversas existentes em outras redes podem migrar para a Clubhouse – ditam o comportamento. Além disso, como as salas são divididas a partir dos interesses dos usuários, as conversas são nichadas.

O que torna a rede única?

Enquanto a maior parte das redes sociais se utilizam de diversos recursos audiovisuais para ganharem espaço, na Clubhouse o áudio é a principal forma de relacionamento.

Há ainda o clima de exclusividade, (assim como o próprio Facebook, no início), uma vez que o aplicativo só está disponível para dispositivos iOS, a partir da versão 13.0 e para quem recebeu um convite para participar.

E como ela funciona?

Cada novo usuário só pode enviar dois novos convites, via iMessage, para amigos ou conhecidos. Até o momento, não existe limite de participantes nas salas (participei de salas com quase 5k usuários).

Assim que você entra na rede, você preenche seus dados e cria um filtro dos seus interesses. Esse filtro – que poderá ser atualizado a qualquer momento – irá configurar o algoritmo da rede para que você receba, no sua timeline, atualizações de salas de áudio com temas compatíveis com o que você selecionou.

A próxima etapa é seguir pessoas de interesse em uma lista pré-definida que inclui alguns dos seus amigos que já têm acesso ao Clubhouse. Quando as pessoas trocam follow, elas passam a fazer parte do chat uma da outra e podem juntas criar uma sala de áudio para bater papo, seja agendado ou imediato, privado ou público.

A plataforma também permite que você faça o link da Clubhouse com seu Instagram e Twitter, oferecendo uma oportunidade latente de popular as outras redes.

Com o seu perfil, basta navegar pelas atualizações da sua timeline e decidir se quer entrar nas salas de áudio ou criar uma própria. As rooms variam muito de acordo com a configuração proposta pelo proprietário(s) da sala. Existem salas em que só alguns usuários são permitidos de falar, existem salas em que o áudio é aberto para todos os usuários.

Como a ClubHouse pode ser relevante para advogados?

Para os profissionais da área jurídica, a plataforma de conversas em tempo real pode aproximar advogados de clientes (e potenciais clientes), humanizando ainda mais a imagem institucional. Além disso, a rede tem potencial informativo, permitindo que, em tempo real, os advogados se projetem enquanto especialistas em determinada frente de atuação. Apenas devemos considerar as premissas estabelecidas pelo Código de Ética e Disciplina da OAB que determina o caráter educativo da informação, coibindo assim, o viés mercantil e comercial da informação.

Outra oportunidade é a possibilidade de permitir excelentes benchmarks e a possibilidade de parcerias, networking e contato direto com potenciais clientes. Em um momento de digitalização cada vez maior em virtude da pandemia, a ClubHouse pode corroborar neste aspecto de proximidade e fluidez nas trocas de informação e geração de valor. A nova rede tem potencial e se mostra como uma plataforma possível para networking, palestras, traçar novos formatos de negócios, criar novos caminhos e transformar a comunicação no setor jurídico.

Entender as demandas e dores dos clientes, se fazer presente com um contato próximo e personalizado poderá fazer a comunicação das nossas marcas pessoais (e escritórios) de maneira a construir reputação digital e autoridade de forma mais célere e eficaz.

Nas áreas adjacentes ao Direito, atualizações sobre o mercado, tendências e aprofundamento nos temas de empreendedorismo, novos negócios, tecnologia e marketing jurídico são movimentos já possíveis para quem está na plataforma.

Uma crítica a ferramenta que difere de outras redes, ainda não é possível entender quais as métricas podem ser analisadas para mensurar o sucesso de uma determinada ação. A plataforma também não permite que conteúdos sejam registrados ou denunciados, o que já gerou debates sobre falta de moderação coercitiva para casos de misoginia, racismo e antissemitismo.

A Clubhouse é uma rede que não se pauta por número de interações, por exposições, por #tbt, franses de efeito ou relatos da experiência de uma sustentação oral no Fórum. A noção de comunidade é no aqui e no agora. Em um contexto comunicativo tão saturado e “copy & paste” como o que temos hoje, a tendência é que as pessoas busquem formas diferentes de se sentirem pertencentes: em que possam se expressar de forma real, verdadeira, sobre assuntos que consideram importantes e em nichos que genuinamente buscam informações.

Bom senso, autenticidade, humanização e propriedade técnica são os ingredientes chave para os advogados utilizarem a ClubHouse de maneira assertiva, contribuindo na construção de autoridade, reputação digital e conversão de novas oportunidades e clientes.

*Bruno Pedro Bom, bacharel em Direito pela PUC/SP. Publicitário pela ESPM/SP. MBA em Gestão Empresarial pela FGV/SP. Fundador e presidente da BBDE Comunicação. Gerente de Marketing do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP)

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